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| Foto de Bob Wofelson, bela capa de Kiko Farkas |
Ele tinha uma infinidade de discos autografados, desde a época dos LPs. A dezena de discos com autógrafos foram conseguidos quando eu estava com ele. Normalmente, nos shows levava os LPs e os CDs em um envelope e, findas as apresentações, ia ao camarim conversar com os músicos e pedir autógrafos. Bom papo, sempre tinha do que conversar com eles devido ao enorme conhecimento que tinha do jazz. Eu, bem mais tímido que ele, passei a levar os encartes dos CDs dos artistas no bolso e, aproveitando da situação, pedia também.
A parte engraçada do “mais ela é muito nova” se devia a um motivo bem particular. Cliente dos bons da Jazz Record Center, o melhor lugar para se adquirir discos, cartazes, revistas e souvenirs relacionados ao gênero, descobriu que aqueles autógrafos poderiam se transformar em dólares. Como ia com frequência – umas duas vezes por ano a Nova York –, ficara amigo do dono, o Fred Cohen. Em uma das ocasiões em que fui à loja, que fica em um lugar escondido no Chelsea, no oitavo andar, o Fred perguntou pela saúde do Conde, sabendo que ele estava doente. Era um dos bons clientes do Fred.
Lembro dessa história, agora quandoé lançado o álbum Duos III, de Luciana. Estabelecida há muito tempo em Nova York, é um nome bem conhecido e consagrado. No último “Melhores do Ano”, da revista Downbeat, foi considerada a décima melhor cantora. Não é pouco. Num universo concorrido em que o que não falta é cantora, é uma boa classificação, principalmente por interpretar mais em português do que em inglês. Para se ter uma ideia, dentre as vinte melhores, quase todas são americanas, canadenses ou inglesas. As exceções são Roberta Gambarini – italiana –, e Claudia Acuña – chilena.
Em seu Duos III, os “outros” são os brasileiros Toninho Horta, Marco Pereira e Romero Lubambo. As atuações dos violonistas são divididas democraticamente em quatro num total de doze faixas. Toninho toca em Pedra da Lua, Tim Tim por Tim Tim, Inútil Paisagem e Beijo Partido; Marco Pereira em Chora Coração, Dona Lu, Eu Vim da Bahia e Mágoas de Caboclo; e Romero Lubambo em Doralice, As Rosas Não Falam, Lamento Sertanejo/ Maçã do Rosto e Dindi. O repertório bem conhecido.
Toninho Horta sempre imprime sua marca ao violão. Possui uma levada só dele, muito especial. É o único que participa nos vocais, fazendo um belo vocalise em Pedra da Lua. Participa com duas composições próprias: além desta, Beijo Partido. Pereira também tem uma sua, sem letra, apenas com vocal de Luciana, e a música se chama Dona Lu; acho que não é para dona Lu Alckmin. Marco, dos três, é o mais clássico. É da tradição dos grandes virtuoses do violão no Brasil. Lubambo, desde 1985, mora nos EUA e, além do trabalho solo, tocou e gravou com Paquito D’Rivera, Dianne Reeves, Astrud Gilberto, Dizzy Gillespie, Herbie Mann, Michael Brecker, Al Jarreau e Dave Douglas.
Duos III é um disco muito agradável de se ouvir, intimista. Ela é afinada, mas parece muito contida. Sempre foi assim. Não empolga, bom, essa é a minha opinião e nem todos precisam concordar. Mesmo quando canta mais “balançado”, como Maçã do Rosto, de Djavan, não é daquelas que nos faça sair dançando pela sala. Sem ser uma crítica e, já que comecei, acho que os americanos deviam conhecer Monica Salmaso.
Como sou fã de carteirinha de Toninho Horta, acho que você deve ouvir Pedra da Lua. (Sobre ele, leia O céu mais lindo do Brasil, TH, um talento pouco reconhecido? , TH e espinha de peixe)
Outro belo destaque é Mágoas de Caboclo, com Marco Pereira.
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Ouça Luciana e Toninho Horta em Pedra da Lua.
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Agora, bom mesmo é Mágoas de Caboclo, com Orlando Silva. Essa é imperdível.
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