O cinema é uma arte nova, e nesse quesito, tem dois nomes a ser considerados. o primeiro é o cinematógrafo Michael Cacoyannis, diretor de Zorba, O Grego, inspirado na obra de Nikos Kazantzakis, autor de Cristo Recrucificado também. É um clássico. Quem fez o papel do grego foi o mexicano Anthony Quinn, marcado para sempre por esse personagem tão inesquecível.
Outro, esse sim, genial, é o ateniense Theo Angelopoulos. Há controvérsias. Conheço pessoas que o acham um chato metido a fazer cinema pretensamente intelectual. Faço parte dos que gostam da “lentidão” dos filmes de Andrei Tarkovski, da densidade e violência emocional de um Bergman, e Theo está na lista dos meus eleitos. Até parte da crítica especializada o tem como um “cineasta de festival”, ou seja, faz filmes para serem premiados e serem solenemente ignorados pelo público. Desse time fazem parte Abbas Kiarostami, e o tailandês Apichatpong Weerasethakul, ganhador da Palma de Ouro, em 2010, com o estranhíssimo e belo O Tio Booonmee, Que Se Lembra das Suas Vidas Passadas. Quebrou-se a escrita, no entanto, com a exibição de Poeira do Tempo (I skoni tou hronou, 2008): pelo jeito, o júri não se encantou no Festival de Berlim de 2009. Mas, antes desse, dirigiu alguns belos filmes: Viagem a Citéria, A Eternidade e Um Dia e Paisagem na Neblina. O primeiro da trilogia, O Vale dos Lamentos (2004), foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Longo – três horas –, a parte bela são os longos planos-sequências (a cena, não lembro agora se é de um casamento ou de um enterro, em que as personagens se locomovem na água sobre canoas é perfeita); o lado ruim, digamos, é a ambição (pretensão é a melhor palavra) de construir um panorama épico e político da Grécia.
Com exceção da banda Aphrodite’s Child, surgida no fim dos anos 1960, e o sucesso internacional de dois de seus componentes – o cantor Demis Roussos e o tecladista Vangelis – em carreiras solo, e da cantora Nana Mouskouri, pouco se conhece de algum outro intérprete que tenha ficado mais conhecido fora da Grécia. Num outro segmento, está Mikis Theodorakis, autor da trilha sonora de Zorba, O Grego. O compositor Iannis Xenakis pode ser considerado uma exceção das exceções, pois que, apesar de ascendência grega, é romeno de nascimento, naturalizado francês: é figura de proa entre os admiradores da música erudita contemporânea.
Até em países “fechados” em razão do domínio da União Soviética, floreseceu o jazz. Os bares de jazz na antiga Tchecoslováquia eram famosos. Nos anos 1960 e 70, “exportaram” o baixista Miroslav Vitous e o tecladista Jan Hammer. Nasceram na Hungria os guitarristas Gabor Szabó e Atilla Zoller, e o baixista Aladar Page. Da Polônia, despontaram o trumpetista Tomasz Stańko, a cantora Urszula Dudziak, os violinistas Michał Urbaniak e Zbigniew Seifert, e também o tecladista Adam Makowicz. A antiga Iugoslávia “produziu” um grande trumpetista: o bósnio Dusko Goykovich.
![]() |
| Arvanitas por Esther Cidoncha |
Depois de tanta tergiversação, chego no nome de Georges Arvanitas. Apesar do nome grego, nasceu em Marselha, França. Os pais vieram de Istambul, portanto, devem ter fugido ou sido expulsos pelo governo turco.
Não é lá muito conhecido. É, no entanto, excelente pianista. É um daqueles nomes do universo do jazz francês, que como Pierre Michelot, Michel Legrand, Martial Solal e Barney Wilen, “trocaram figurinhas” com os músicos americanos expatriados. A não citação de Django Reinhardt e Stéphane Grapelli é porque são anteriores; Michel Benita, Erik Truffaz, Jean-Luc Ponty, Jean-MIchel Pilc, Michel Petrucciani, Eddy Louis e de Richard Galliano são mais jovens.
Como alguns, conheço apenas dois álbuns. Um deles é o Plays… George Gershwin (1993). Técnica e musicalidade estão enfatizadas, principalmente, nos solos de Nice Work If You Can Get It, Someone to Watch Over Me e no tributo ao quase xará, From Georges to George.
Ótimo disco também é o duo que fez com o americano David Murray em 1991: Tea for Two – George Arvanitas Presents… The Ballad Artistry of David Murray (grafado sem o “s” no primeiro nome). Apesar do nome de Murray estar mais associado ao jazz avant-garde em decorrência de ter sido um dos componentes do World Saxophone Quartet e também pela série de álbuns lançados pelo selo italiano Black Saint, é mestre em baladas. Os discos gravados em duo com o piano são espetaculares. Além desse com Arvanitas, tem um com John Hicks (Sketches of Tokyo), e outro com Mal Waldron (Silence).
Arvanitas e Murray gravaram Chelsea Bridge, Polka Dots and Moonbeams, Star Eyes, Body and Soul, Tea for Two, I’m in the Mood for Love, Blues for Two e La vie en rose. Ouça a última.
O prodígio técnico de Arvanitas em NiceWork If You Can Get It.
Curiosidade arqueológica. Os sons do órgão Hammond que embalam os gemidos e sussuros de Jane Birkin no clássico Je t’aime moi non plus, de Serge Gainsbourg, são de Georges Arvanitas.
Não é lá muito conhecido. É, no entanto, excelente pianista. É um daqueles nomes do universo do jazz francês, que como Pierre Michelot, Michel Legrand, Martial Solal e Barney Wilen, “trocaram figurinhas” com os músicos americanos expatriados. A não citação de Django Reinhardt e Stéphane Grapelli é porque são anteriores; Michel Benita, Erik Truffaz, Jean-Luc Ponty, Jean-MIchel Pilc, Michel Petrucciani, Eddy Louis e de Richard Galliano são mais jovens.
Como alguns, conheço apenas dois álbuns. Um deles é o Plays… George Gershwin (1993). Técnica e musicalidade estão enfatizadas, principalmente, nos solos de Nice Work If You Can Get It, Someone to Watch Over Me e no tributo ao quase xará, From Georges to George.
Ótimo disco também é o duo que fez com o americano David Murray em 1991: Tea for Two – George Arvanitas Presents… The Ballad Artistry of David Murray (grafado sem o “s” no primeiro nome). Apesar do nome de Murray estar mais associado ao jazz avant-garde em decorrência de ter sido um dos componentes do World Saxophone Quartet e também pela série de álbuns lançados pelo selo italiano Black Saint, é mestre em baladas. Os discos gravados em duo com o piano são espetaculares. Além desse com Arvanitas, tem um com John Hicks (Sketches of Tokyo), e outro com Mal Waldron (Silence).
Arvanitas e Murray gravaram Chelsea Bridge, Polka Dots and Moonbeams, Star Eyes, Body and Soul, Tea for Two, I’m in the Mood for Love, Blues for Two e La vie en rose. Ouça a última.
O prodígio técnico de Arvanitas em NiceWork If You Can Get It.
Curiosidade arqueológica. Os sons do órgão Hammond que embalam os gemidos e sussuros de Jane Birkin no clássico Je t’aime moi non plus, de Serge Gainsbourg, são de Georges Arvanitas.

O cenário do jazz francês nos anos 50 era realmente primoroso, capaz de rivalizar com o de algumas cidades norte-americanas como Detroit e Chicago,por exemplo, pela quantidade e pela qualidade.
ResponderExcluirAlém dos citados Pierre Michelot, Michel Legrand, Martial Solal e Barney Wilen, e os expatriados Kanny Clarke, Sidney Bechet e Bud Powell, ainda tinha outros jovens músicos franceses e belgas, como René Urtreger, Bobby Jaspar, René Thomas, Sacha Distel e Daniel Humair.
Vou procurar esse disco do Arvanitas com o Murray. Grande dica!
Abração.