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Ele não parecia um pouco com o jornalista Alberto Helena Jr? |
Por coincidência, na semana em que Claude Chabrol faleceu, aos 80 anos, assistia a
Garota Dividida em Dois. É boa diversão o caso de uma garota que se apaixona por alguém mais velho – um escritor de renome, sedutor, em cujo universo rodeiam sua mulher e a bela editora de seus livros Mathilda May). Perto dessas duas mulheres maduras, Gabrielle (Ludivine Sagnier), “mulher do tempo” de uma emissora de TV, é até um pouco sem graça. Mas a juventude tem seus encantos e atrações misteriosas. O escritor Charles Saint-Denis (François Berléand) a seduz e, sincronicamente, um jovem mimado, herdeiro de uma indústria farmacêutica se encanta por ela ao vê-la casualmente em algum lugar público. O desfecho, bom, apesar de surpreendente, é até previsível. Agora, Gabrielle ser “cortada” em dois num daqueles números circenses, achei um pouco forçado.
Antes desse, assisti a
Comédia do Poder (
L’ivresse du pouvoir), com a “gélida” Isabelle Huppert. Como vi faz mais tempo, não lembro direito da história. Nesse hiato de mais de vinte anos sem ver nada de Chabrol, acho seus últimos filmes mais interessantes do que tinha visto na década de 1970. Nessa época, meus franceses preferidos eram Godard, Truffaut e Alain Resnais. Chabrol não me impressionava com seus mistérios hitchcockianos, quando as expectativas desse adolescente – naquela época – eram a de ver filmes com linguagem mais fragmentada, de discurso estético e político instigantes, que suscitavam discussões apaixonadas entre amigos. O que quero dizer com isso? Achava-o meio “careta”, como se dizia naquele tempo. É mentira, no entanto, dizer que nada dele me impressionou.
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| Capa do DVD lançado nos EUA |
Não sei por que – essa é a razão de ter visto esses dois filmes do francês recentemente - andei lembrando de uma cena de
O Açougueiro (
Le boucher) e contei a alguns amigos, como um cena marcante e
guignolesca. Se não achava Chabrol tão interessante, em contrapartida achava sua mulher Stéphane Audran muito interessante. Nesse filme lançado em 1970, uma professorinha de uma cidade do interior da França se envolve com um açougueiro. Alguns crimes misteriosos envolvendo crianças anda acontecendo na região. Não lembro se ele era o responsável ou não. Uma cena, que ficou na lembrança e é antológica é a das crianças que saem com a professora para um pequinique no campo. A cena: um deles está comendo seu lanche sob uma árvore; na hora em que vai dar uma mordida, cai uma gota de sangue no pão.
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