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| A capa de um clássico |
Coleman Hawkins tinha um som cheio, um tanto áspero, e o de Ben era veludo puro. O Carlos Conde não se conformava com que alguém pudesse gostar de Webster. Dizia que ele fazia “ar” e não som. Questão de gosto. Ele era incomparável tocando baladas. Quem conhece Time After Time (Ben Webster and Associates, Verve) tocado por ele sabe do que estou falando.
Mas La Rosita chegou por outras vias dessa vez. Não lembro de nenhum outro registro além desse de 1957. Qualquer coisa que ache do pianista Bebo Valdés, compro, desde Bebo y El Cigala, DVD duplo com show e documentário dirigido por Fernando Trueba. O cineasta espanhol é responsável pelo “renascimento” do cubano expatriado, que se encontrava meio esquecido. Pela gravadora espanhola Calle 54 foram gravados alguns CDs. Encontrei, casualmente, We Could Make Such Beautiful Music Together (2003), um duo com o violinista uruguaio Federico Britos num site. Adivinhem? Adorei. E mais, ainda, porque me fez lembrar de Rosita. É a quarta faixa de um disco em que se mesclam standards americanos, composições próprias, um Piazzola e um Jobim.
Uma observação: a canção La Rosita foi composta por Allan Stuart (pseudônimo de Lester O’Keefe) e Paul Dupont (pseudônimo de Gustave Haenschen). Estranho, não? Em matéria de 2008 no Los Angeles Times (http://articles.latimes.com/2008/oct/23/world/fg-bebo23), assinado por Sebastian Rotella, Bebo diz: “que bela peça. É mexicana, você sabe, os mexicanos têm músicas melódicas.” Pelo jeito, nem Bebo sabe das origens de Rosita.
Ouçam e comparem.
Coleman Hawkins e Ben Webster:
Bebo Valdés e Federico Brito:

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