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| O pianista Vijay Iyer |
Solo, lançado em meados de agosto, pelo selo ACT, é excepcional. Segundo Vijay, sua “dívida” musical é com Thelonious Monk, Andrew Hill, Duke Ellington, Muhal Richard Abrams, Randy Weston, Cecil Taylor e Sun Ra. Um disco solo proporciona – ou desvela – as influências que teve de outros músicos, mais até do que tocando com os outros. É como um desnudamento: é você e o piano.
Se no álbum anterior em que foi acompanhado por Stephan Crump e Marcus Gilmore é notória a forma enérgica e rica, lembrando o estilo do pianista Andrew Hill, em Solo, Iyer “estica a corda” e em alguns momentos soçobra a forma atonal do teclado de Cecil Taylor. Em outros momentos, consegue criar uma atmosfera etérea na digitação das notas graves, como em Fleurette Africaine, de Duke Ellington, uma das faixas mais belas do disco.
É impressionante a sua capacidade improvisativa e de propiciar novo olhar em composições tão batidas como Human Nature, conhecida na interpretação de Michael Jackson e gravada também por Miles Davis. É brilhante a interpretação de Epistrophy, de Thelonious Monk, desconstruindo-a em ritmo frenético em uma tempestade de notas que passeiam pelos agudos e graves, sobre um tema tocado à exaustão por zilhões de músicos. Faz a mesma coisa com Darn That Dream, de Jimmy van Heusen e Eddie DeLange. Um último destaque é Desiring, de sua própria lavra.
A forma de como desenvolve temas alheios e próprios se esclarece nas notas internas escritas por Iyer: “Autoscopy refere-se a um tipo de experiência fora do corpo no qual você lhes observa as ações de fora (normalmente acima) de seu corpo; tocar música, ocasionalmente, proporciona essa experiência. Num sentido diferente, um álbum solo proporciona isso.” Autoscopy é o nome de uma de suas composições.
Ouça a bela Fleurette Africaine.

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