Passado o período de experiência – três meses –, chegou o dia de ser apresentado ao futuro possível sogro, em grande estilo. Não sei se em grande estilo, mas com certo estilo. O lugar do encontro seria em um sítio distante uns cem quilômetros de São Paulo..
Saímos, programados de chegar perto da hora do almoço. Há sempre uma expectativa nesses encontros. O lugar era simples, despojado e agradável. Sentamos na varanda e perguntou-me se bebia algo. Educadamente, respondi que podia ser qualquer coisa. Fiquei sentado na varanda, observando a vegetação um pouco ressecada, ouvindo o som resultante do vento que atravessava uma plantação de eucaliptos à minha esquerda.
Logo veio “seo” José com uma taça de vinho e o depositou sobre a mesa ao lado da minha cadeira. Não era de muitas palavras. E eu, “abandonado”, com alguém que conhecera há poucos minutos, senti um certo constrangimento no ar. Mas, aprendi, com o tempo, a lidar melhor com essas situações. Hoje, se alguém puxar uma conversa, consigo falar sobre qualquer assunto, desde o mais banal, como futebol (que mal acompanho), sobre o tempo (é o quebra gelo mais habitual), e tenho um conhecimento além da média quando o assunto é música, literatura e artes plásticas.
Porém, não foi fácil achar assunto com ele. Era um sujeito calado e, se imperasse o silêncio por alguns minutos, principiava a cochilar. Era o primeiro encontro, afinal. Com um pouco de dificuldade, conversei sobre amenidades, tentando causar boa impressão.
Depois de mais ou menos meia hora, percebeu que eu mal tocara no vinho. O que me servira estava vinagre puro. Levantou-se e trouxe uma outra garrafa e outra taça. Experimentei. Mesma coisa. A marca era Gatão, bem popular no fim do século passado. Os vinhos da Península Ibérica não tinham a fama nem a reputação de hoje. Eram considerados de segunda, e eram mesmo, pelo menos os que vinham para o Brasil. A exceção eram os vinhos do Porto.
Chateado, disse: “Puxa, vou ter que jogar uma caixa inteira, que tinha comprado há quinze anos!” Com o convívio mais amiúde, descobri que tinha o hábito de comprar tudo em grandes quantidades. Chegou, em certa ocasião, a comprar um saco de um quilo de orégano, suficiente para abastecer um rede de pizzarias por mais de uma ano. Bom, mas essa é para uma outra história.
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