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| Estiloso Seal |
Seal tem aquela voz que, de cara, identificamos ser a de um negro. É inglês, mãe nigeriana e pai brasileiro. Adotado por uma família, em Westminster, Inglaterra, conseguiu estudar e não deve fazer o figurino típico do negro pobre. Começou cantando em clubes e a parceria com Adamski, que colocou letras em “Killer”, alçou-o na cena musical. Dono de belíssima voz, trouxe com ela a dor intrínseca de ser parte de uma minoria no meio de uma população, em sua maioria, branca. Posso estar tirando conclusões sem tanto fundamento, mas é a dor de alguém que cresceu longe dos pais biológicos, com o agravante de ter ficado com cicatrizes bem acentuadas no rosto devido a um tipo de lúpus.
Onde o inglês sente-se à vontade é em canções com um toque “torch”, como em “Prayer for the Dying”, “Kiss from a Rose” e “Love”, de “7”, álbum que nem chegou ao “top ten”. Era de se prever que Seal ao interpretar standards, passasse uma angústia, algo como sendo uma versão masculina de Nina Simone, por exemplo.
“My Funny Valentine”, “The Nearness of You” e “Autumn Leaves” seriam ótimos veículos para sua voz “torchy”. Não é o que acontece, porém, quem sabe, pelos arranjos de Chris Walden, inspirados em orquestrações de Nelson Riddle e de outros da era do swing. Aliás, a referência maior, creio, é o “modelo” Frank Sinatra. A suposição é decorrente da escolha de “It Was a Very Good Year”, de Ervin Drake, que foi uma de suas marcas registradas, claro, além de “Strangers in the Night”, “New York, New York” e “I’ve Got You Under My Skin”, esta, presente no álbum. A outra é “Santa Claus Is Coming to Town”, clássico composto por Mel Tormé, que o americano também cantou.
Há, aliás um vídeo bem interessante com Seal fazendo os vocais com Sinatra. Veja.
Ouça “It Was a Very Good Year”.
Em alguns casos, a forma de interpretar os standards não traz algum acréscimo em comparação à milhares de versões existentes, como no caso de “Love for Sale”. Em “My Funny Valentine” não chega a comprometer, com o solo discreto e correto de Till Brönner. Em números que são standards mais recentes, como “Anyone Who Knows What Love Is”, Seal é mais convincente.
“
Outra que funciona bem com ele, nessa mesma classificação, é “I Put a Spell on You”, mas sem aquela intensidade de uma Nina Simone.

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