quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Virginie Teychené, a francesa com ginga brasileira

Alguns segundos são suficientes para que sua voz mude o seu humor: uma sensação de júbilo e você nem percebe por que. A voz de Virginie Teychiné é cristalina como a água que sai de um veio na rocha. E você a conhece? Você não é o único. Em uma busca pela internet se descobrirá que é como um metal raro a ser descoberto. Poucas referências. Inexplicável. Pelo menos para mim, é. Virginie em todos os predicados de uma boa intérprete do jazz, além de bela. É boa nos scats, afinadíssima, voz agradável. Apesar de francesa, vira-se bem cantando em inglês e em português. Sua habilidade em modular bem os tempos quebrados do jazz faz dela uma intérprete ideal para o gênero.

Uma das poucas formas de se saber um pouco mais dela é acessando sua página oficial (http://www.virginieteychene.com/index.html). Fico sabendo que cursou Literatura e Direito, antes de seguir a carreira de cantora. Seu primeiro álbum é “Portraits” (Altrisuoni 2007). Em 2008, na International Vocal Jazz Competition, em Juan les Pins, onde tradicionalmente acontece um festival, ganhou o “Prix du Juri” e “Prix du Public”, ao mesmo tempo.

O crítico Xavier Prévost, a propósito de seu álbum de estreia, escreveu que “essa jovem cantora mostra uma notável maturidade, dominando o idioma do jazz com uma expressividade muito profunda. Nestes tempos insípidos, sua originalidade aquece os corações, as almas e o espírito.”

Um dos destaques de seu disco de estreia é “Zingaro”. Veja Teychiné cantando esse clássico de Tom Jobim.



Depois de “Portrait”, lançou “I Feel So Good” (Altrisuoni 2009). “Double Rainbow” é um relançamento com os dois em um único CD, pela Jazz Village, selo de jazz da Harmonia Mundi.

“Bright and Sweet” (2012) é seu melhor disco, e é onde explora os scats, temas em uptempo e encanta com brilhantes interpretações de standards, como “Don’t Explain” e “Goodbye Pork Pie Hat”, além de clássicos contemporâneos como “Dry Cleaner from Des Moines”, de Joni Mitchell, e de quebra, “Para Que Discutir com Madame” e “Por Toda Minha Vida”, cantadas em impecável português.

Ouça “Por Toda Minha Vida”.



Teychiné canta “Rat Race” em apresentação no Jazz in Marsiac. Manda bem nos tempos rápidos.



Outra ótima é “Dry Cleaner from Des Moines”, de Joni Mitchell.



Uma das melhores é “Angel Face”.



“Encore”, de 2015, é seu mais recente. Bom CD. Como sempre, inclui temas brasileiros, como “Eu Sei Que Vou Te Amar” e “Doralice”.

Ouça esta última.



Bom, como ela é francesa, é preciso uma cantando em sua língua original. Veja o clipe oficial de “C'était bien”, de Gaby Verlor, conhecida na voz de Juliette Greco.



E, outra em francês: “Septembre” a última do disco. Na abertura, Olivier Ker Ourio toca um trechinho de “The Man I Love”.



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