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| A graça de Lizz Wright |
Curiosamente, Wright afirma que “Grace”, álbum mais recente, lançado agora no dia 15, é uma volta às raízes. No caso de Bridgewater, o retorno se faz por meio de um repertório aparentado ao que ouvia na adolescência na sua estação favorita de rádio, a única que transmitia exclusivamente música afro-americana.
Lizz é bem mais nova que Bridgewater. São quase 30 anos de diferença. Nem tão norte nem tanto ao sul, a referência é a de onde vem. Georgia é um dos estados em que a cultura afro americana foi e continua bem presente, assim como a religiosidade. Lizz é filha de pastor e também diretor musical de sua paróquia. Não é muito diferente do figurino que conhecemos. Lizz saiu da Georgia mas não foi muito longe: divide a morada entre Chicago e Great Smoky Mountains, na Carolina do Norte, onde comprou um terreno de 28 acres, e passa os seus momentos de descanso.
Na música também nunca esteve distante de suas raízes sulistas. Portanto, não é exatamente uma retorno a elas, como afirma. Agora, se considerarmos como um retorno à cultura e sua história, sim, mas no fundo, até nisso, permaneceu fiel a ela.
Desde sua estreia, com “Salt”, em 2003, apesar de lançada pelo selo Verve, não se pode dizer que era um disco de jazz. Fora standards como “Afro Blue”, de Mongo Santamaria, cuja versão mais conhecida e espetacular é a de John Coltrane, e “Goodbye”, de Gordon Jenkins, as restantes, quase todas composições de sua autoria, possuem características que não podem ser classificadas como tal. Os músicos participantes, sim; são desse universo: John Cowherd, Chris Potter, Danilo Perez, Brian Blade e outros mais.
Em “Dreaming Wide Awake”, que inclui as belas “A Taste of Honey”, de Bobby Scott, “Get Together”, de Chet Powers, aquela que os cinquentões conhecem com os Youngbloods, e “Old Man”, de Neil Young, apesar de Scott ter sido um pianista e cantor ligado ao jazz, podem ser classificadas no termo mais genérico de “músicas clássicas do cancioneiro americano”.
Foram quase cinco anos entre “Fellowship” e “Freedom and Surrender”. Foi primeiro na casa nova, a Concord Jazz. Pelo título do mais recente, “Grace”, a primeira suposição é o de que há uma relação entre os dois, pois são duas expressões que nos levam a pensar em redenção, ou algo parecido, que nos remete à religião.
O canto de Wright é universal. Poderia vir do Amapá ou de Cochabamba. Esse é um dom que Deus dá a poucos. Desde “Salt” (Verve), sua estreia em discos, em 2003, sucesso instantâneo, alçado ao segundo mais vendido no chart da Billboard Top Contemporary Jazz, mantém uma linha coerente e fugindo de qualquer rótulo. Há uma evolução, ou construção, de uma linguagem que a torna reconhecível em qualquer música que cante, seja ela de Bob Dylan ou kd lang, presentes no mais recente lançamento.
Grace
“Barley”, de Allison Russell, abre o disco. O ritmo marcante, o violão “beliscado”, árido, e a voz de Lizz cantam paisagens rurais. A segunda é “Seems I’m Never Tired Lovin’ You”, conhecida pela interpretação de Nina Simone. Desde o início, ela nos captura com sua voz cálida e elegantemente sensual em uma espiral emocional que, aos poucos vai nos envolvendo até ficarmos a querer mais e mais.
Uma coisa que contribui para caracterizar como um álbum em que revisa suas raízes é o recurso estilístico do uso do órgão, massivamente presente nos cultos religiosos, e aqueles coros irresistíveis. Está presente na canção título, de Rose Cousins. Ouça.
Foram quase cinco anos entre “Fellowship” e “Freedom and Surrender”. Foi primeiro na casa nova, a Concord Jazz. Pelo título do mais recente, “Grace”, a primeira suposição é o de que há uma relação entre os dois, pois são duas expressões que nos levam a pensar em redenção, ou algo parecido, que nos remete à religião.
O canto de Wright é universal. Poderia vir do Amapá ou de Cochabamba. Esse é um dom que Deus dá a poucos. Desde “Salt” (Verve), sua estreia em discos, em 2003, sucesso instantâneo, alçado ao segundo mais vendido no chart da Billboard Top Contemporary Jazz, mantém uma linha coerente e fugindo de qualquer rótulo. Há uma evolução, ou construção, de uma linguagem que a torna reconhecível em qualquer música que cante, seja ela de Bob Dylan ou kd lang, presentes no mais recente lançamento.
Grace
“Barley”, de Allison Russell, abre o disco. O ritmo marcante, o violão “beliscado”, árido, e a voz de Lizz cantam paisagens rurais. A segunda é “Seems I’m Never Tired Lovin’ You”, conhecida pela interpretação de Nina Simone. Desde o início, ela nos captura com sua voz cálida e elegantemente sensual em uma espiral emocional que, aos poucos vai nos envolvendo até ficarmos a querer mais e mais.
Ouça “Barley”.
É apenas o começo. “Seems I’m Never Tired Lovin’ You” é um petardo. Veja e ouça nessa apresentação.
Uma coisa que contribui para caracterizar como um álbum em que revisa suas raízes é o recurso estilístico do uso do órgão, massivamente presente nos cultos religiosos, e aqueles coros irresistíveis. Está presente na canção título, de Rose Cousins. Ouça.
Com apenas 37 anos, Wright, em seus cinco álbuns, amealhou apenas elogios da crítica e conquistou milhões de ouvintes. Desde “Salt”, sua estreia, parecia uma cantora pronta. Neste disco, quis, como afirmou para a matéria de Giovanni Russonello, do New York Times, “capturar a delicadeza do Sul e de onde eu vim e a minha experiência disso.” O sul é um lugar que tem “uma cultura e história incríveis, que se baseia em você cultivar a sua terra e importar-se um com o outro. Eu venho de uma família que cresceu produzindo o seu próprio sustento nos tempos da escravidão e o das pessoas ao seu redor. Descobri então, por meio das conversas sobre a terra e sobre a casa com meus vizinhos, muitos pontos em comum”, complementa. É uma cultura que procurou preservar com os seus vizinhos de Blue Ridge Mountains. Tanto é que “Grace” é dedicado a sua “next-door neighbor” de 92 anos.

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