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| John Abercrombie: um bigode de causar inveja a Pedro de Lara |
Devido às poucas informações, nem sabia que estava doente, e estava há um bom tempo – segundo nota do site da ECM, “long illness”.. Morreu do coração no dia 22 de agosto. Tinha 72 anos. Novo, considerando-se as médias atuais. “Up and Coming” foi o primeiro álbum da ECM a ser lançado neste ano e passa a ser o último dele em vida. É uma despedida em alto estilo. Certamente sairão outros depois da morte. Manfred Eicher deve ter muitas gravações guardadas na gaveta.
O quarteto é formado pelo guitarrista, Marc Copland, pianista parceiro de vários outros projetos, o contrabaixista Drew Gress e o baterista Joey Baron. É uma banda à beira da perfeição. É a mesma formação do penúltimo, “39 Steps” (ECM, 2013). Tocam juntos há tempos. “Better by Far”, o mais recente de Copland como líder, conta com Drew e Gress, e o trompetista Ralph Alessi.
Com o passar do tempo, a guitarra com efeitos que resultavam em um som meio fluido, que parecia desmanchar-se no ar, foi ficando mais seca, destacando mais ainda a riqueza harmônica e melódica imprimida nos temas e improvisos. Foi ficando cada vez mais Jim Hall, digamos, um dos mestres do “less is more”.
Abercrombie chegou a um grau de harmonia com Marc Copland que lembra a lendária reunião de Jim Hall com Bill Evans. Uma boa amostra dessa combinação é “Speak to Me” (Pirouet, 2011). São quarenta anos de amizade musical.
Ouça os dois.
Copland tem uma veia lírica bem acentuada, perfeito para o estilo do guitarrista. O resultado é uma música cheia de sutilezas harmônicas, quase minimalista, em que se valorizam as nuances sonoras.
Em “Up and Coming” brilham igualmente Marc e John. Quatro composições são do primeiro (“Joy”, “Flipside”, “Sundayschool”, “Up and Coming” e “Jumbles”), duas do segundo (“Tears” e “Silvercircle”). A única que não é de nenhum dos dois é “Nardis”, de Miles Davis.
Ouça “Up and Coming” na íntegra.

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