terça-feira, 29 de março de 2016

O AC/DC em outro contexto, com Jens Thomas

Confesso a minha total ignorância quanto ao AC/DC. A primeira associação que faço é a de que um deles sempre usa uma boina. Ao pesquisar na internet, vejo que são dois os que adornam suas cabeças com frequência. Lembrava bem da imagem do guitarrista, que se veste como um estudante inglês, de bermudas, sapatos, uma gravatinha. Talvez, por essa imagem juvenilizada do guitarrista, tenha uma certa antipatia por eles. Antes que alguém saia me bombardeando por ignorar essa banda, fiquei curioso de ouví-los depois de conhecer o CD Speed of Grace (A Tribute to AC/DC), de Jens Thomas, lançado pela ACT Music, em 2012.

Jens lançou poucos discos até hoje. Logo que ficou conhecido, foi elogiado pela crítica, teve disco considerado o melhor do ano na Alemanha, e até foi dito que era o “único músico de jazz com mais prêmios que Albert Mangesldorf”. A explicação é a de que tem se dedicado mais ao teatro, cantando, tocando e improvisando, do que apresentando-se como músico de jazz.

Seu álbum Alone at Last, em 1999, despertou a atenção de Siggi Loch, dono da ACT Music. Gravou o álbum You Can’t Keep a Good Cowboy Down, com Paolo Fresu e Antonello Salis, sobre a obra composicional para o cinema de Ennio Morricone. Shadows in the Rain, com o saxofonista Christof Lauer, foi considerado o “álbum do ano”. Depois deste, foi a vez do duo Pure Joy, com o mesmo Lauer.

Sua participação em Othello, espetáculo produzido por Luk Perceval, no Munich Kammerspiele, Jens ficou longe das gravações até o CD Speed of Grace. Cantando o repertório da banda AC/DC, fez algo que foge totalmente ao espírito hard rock dos australianos. Acompanhando-se nos teclados e percussão e, em algumas faixas, com Verneri Pohjola no trumpete, os temas ‘hard” transformam-se em interpretações intimistas e originais. É até curioso Jens cantando “Se você quer sangue, você terá/ Se você quer sangue, você terá/ Sangue nas ruas/ Sangue nas pedras/ Sangue na sarjeta/ Até a última gota/ Você quer sangue, você terá”, versos de If You Want Blood, por exemplo, como se fosse um acalanto.

Não conhecia ou não lembrava de nenhuma canção cantada pela banda, mas o que sei é que Jens Thomas fez uma pequena obra prima em Speed of Grace. Vou apresentar algumas do disco, acompanhadas das originais para efeito de comparação.


Ouça Highway to Hell.




Ouça a mesma com o AC/DC.




Veja Thomas cantando Hells Bells.




Veja com AC/DC.




Ouça Touch Too Much.



Veja com o AC/DC.




2 comentários:

  1. Um reparo: O primeiro vídeo do AC/DC que você linka não é de Highway to Hell (grande clássico!), e sim da Touch Too Much, que vem repetida (em outra gravação) mais abaixo. Aqui vai um link para Highway to Hell:
    https://www.youtube.com/watch?v=gEPmA3USJdI

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