Woods afirmava que, se “Charlie Parker era Deus, nesse caso, eu sou o o seu mensageiro.” Não era apenas uma frase de efeito. Era o que achavam os críticos: um legítimo herdeiro do legado de Bird. Um outro dado reforçou essa ligação: depois da morte do genial saxofonista alto, Phil casou-se com Chan Richardson, sua viúva, além de tocar o mesmo instrumento. Mantiveram o casamento por muito tempo.
Sua importância, descontando-se Parker, como altoísta é comparável a de outros dois grandes do instrumento: Cannonball Adderley e Art Pepper. Dois outros são considerados importantes, mas não tanto quanto estes: Johnny Hodges, eterno membro da banda de Duke Ellington, e Paul Desmond, conhecido até pelo gajo da esquina, por Take Five, em seus tempos do quarteto de Dave Brubeck.
Surpreende que Phil tenha morrido, fumando tanto, com 83 anos e, tocando. O enfisema o perseguia há muito tempo. Não lembro há quanto tempo foi que, comentário de quem o assistiu em São Paulo, de seus curtíssimos solos devido a falta de fôlego. Mesmo assim, como se diz por aí, continuava a mandar bem. Conseguia fazer bom uso do pouco ar que lhe sobrava nos pulmões, o que era uma façanha.
Tendo gravado álbuns de sucesso nos anos 1950 e 1960, Woods mudou-se para a França. Saiu um pouco dos holofotes por isso. Montou uma banda meio estranha chamada Phil Woods and His European Rhythm Machine, incorporando instrumentos eletrônicos como o piano elétrico e ritmos africanos. Mas a banda era boa e música também, apesar de não fazer o gosto de todo mundo. O pianista elétrico era Gordon Beck e os franceses da banda eram do primeiro time, como Henri Texier e Daniel Humair.
Ao voltar para o seu país natal, gravou vários álbuns para a Concord Jazz e a Antilles com o quarteto formado por Hal Galper, Bill Goodwin e Steve Gilmore. Outros como Tom Harrell, Jim McNeely e Bill Charlap participaram de outras formações. Um bom disco dessa época é Birds of a Feather (Antilles, 1982).
Um bom ponto de contato com a música brasileira é o álbum Astor & Elis (Chesky), de 1996, que conta com o pianista Bill Charlap e Duduka da Fonseca na bateria.
Ouça o bolero Dois Pra Lá, Dois Pra Cá, de João Bosco e Aldir Blanc, com Phil Woods.
Veja uma apresentação de Woods de 2005 com orquestra, no Festival de Marciac.
Phil e Michel Legrand, em Watch What Happens.
Veja os dois novamente na bela What Are You Doing the Rest of Your Life?, composição do francês. Ah, ele canta; o Michel.
As amostras aqui apresentadas são deste século. Phil já tinha sido diagnosticado com enfisema pulmonar. Não importava tanto o fôlego, porque ele sempre manteve a limpidez no som e a sutileza que sempre foram suas marcas no saxofone alto.

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