terça-feira, 6 de outubro de 2015

Meu coração espanhol

Hoje mesmo, estava a ouvir uma cantora chamada Eva Fernández, espanhola. Ou melhor, catalã. Além de cantar, toca sax alto. Interessante. Ontem ouvi um álbum ótimo – vou ter de fazer um post separado dele – chamado Gasteiz, com o saxofonista Gorka Benítez, o baterista David Xingu, e o guitarrista americano Ben Monder. Faz tempo que não ouço um disco que tenha me impressionado tanto quanto este.

Sempre se fez grande música na Espanha, e com alguma influência moura, que trouxe uma marca única. Desde compositores como Manuel De Falla, Joaquín Rodrigo, Isaac Abéniz e grandes violonistas como Alberto Tárrega (este, compositor de talento também), Narciso Yepes e pianistas como Alicia de Larrocha. Sua influência é marcante na música dos impressionistas Claude Debussy e Maurice Ravel.

O que mais se conhece da Espanha é o flamenco, difundido por filmes de Carlos Saura, que serviram para que Paco de Lucia se tornasse mundialmente conhecido. Mas a presença do jazz sempre foi forte na Península, como sede de bons selos especializados no gênero, bons festivais e bons músicos como Tete Montoliu, Javier Colina, Chano Domínguez, Joan Chamorro e Gerardo Nuñez.

Por outra lado, a música espanhola influenciou o jazz. O exemplo exemplar é o de Gil Evans e seus discos com Miles Davis, inspirados pela música de Rodrigo. Al DiMeola e Chick Corea também incorporaram a batida e elementos melódicos. Em Light as a Feather encontra-se uma das evidências. O Concerto de Aranjuez serve de tema para a entrada de uma das maiores composições de Corea: Spain.

Depois de The Leprechaum, que já incorporava essas influências, lançou o álbum que escancarava seu amor por sua música: My Spanish Heart. O americano estava em sua fase “fantasia”. No anterior, na capa ilustrada, seu dedo indicador toca a de uma fada. Neste, veste-se com roupas de toureiro; no seguinte, Mad Hatter, fantasia-se de personagem de Alice, de Lewis Carroll.

A crítica e o público estavam adorando Chick; menos eu. Não tinha gostado muito de The Leprechaum. Sentia-me saudoso do som do Return to Forever. Para aumentar meus temores, em Love Castle, de My Spanish Heart, Crystal Gayle fazia uma vocalização sobre um arranjo com trompetes. Elegi The Hilltop, belíssimo duo de Chick com Stanley Clarke, e pouco ouvi este álbum desde então.

Por acaso My Spanish Heart estava no iPod que fica plugado no meu som Altec Lansing que fica na cabeceira da minha cama. Ao ouví-lo agora, mudei um pouco de juízo sobre ele. Continuo a não gostar daquelas faixas cheias de palmas (handclaps) e as com vocalizações de Mrs. Moran. A única exceção, talvez, que faço com as com palmas é com Armando’s Rhumba, feita em homenagem ao seu pai.

Acho ainda The Hilltop a melhor. Algumas, que puxam pelo lado mais melódico, como The Gardens e a música título, são os destaques. A suíte El Bozo, lembra um pouco Return to Forever, e a suíte final, Spanish Fantasy, tem bons momentos.

Ouça The Hilltop.



Ouça Armando’s Rhumba.



Ouça The Gardens.



Ouça o álbum na íntegra.

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