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| A imagem da contracapa de Sweetnighter |
Zawinul estudou no Conservatório de Viena antes de emigrar para os EUA, em 1959, e entrar na Berklee School of Music de Boston. Apesar do aprendizado clássico, pelo jeito, seu interesse era pelo jazz. No início da carreira tocou com o trompetista Maynard Ferguson, acompanhou Dinah Washington, foi da banda de Cannonball Adderley e gravou um belo álbum com Ben Webster (Soulmates, Riverside, 1963) antes de entrar na banda de Miles Davis.
Shorter nasceu em Newark, região pobre de maioria negra, e formou-se na New York University. Tocou com Maynard Ferguson, também. Depois, entrou na banda de Art Blakey e rapidamente passou a desempenhar o papel de diretor musical. Entrou para a nova banda que Miles formou, com ele no saxofone, Herbie Hancock no piano, Ron Carter no contrabaixo e Tony Williams na bateria. Esse quinteto foi um dos mais perfeitos da história do jazz. Tudo o que gravaram são obras-primas. Paralelamente, Wayne Shorter lançou vários discos como líder pela Blue Note. Hancock fez o mesmo. Ambos, bons compositores, são autores de vários standards que estão registrados nesses discos.
Depois da dissolução do quinteto, com Miles partindo para as suas aventuras eletrônicas, é a vez de Joe Zawinul entrar na vida do trompetista. É de sua autoria uma das composições que representam essa passagem de Miles: In a Silent Way. É o compositor também de Pharaoh's Dance, faixa de abertura de Bitches Brew, álbum divisor de águas do jazz.
Miles é o responsável – ou o “irresponsável” por desvirtuar o gênero – da nova vertente do jazz, que ficou conhecida por vários nomes: jazz fusion, jazz-rock, jazz progressivo. É sempre difícil classificar novas linguagens; é como essa história de pós-moderno ser depois do contemporâneo. Zawinul, um apaixonado por eletrônica, não ficou muito tempo com Miles. Tinha luz própria e não podia ficar ficar eclipsado pela sombra do mestre.
Joe e Wayne haviam se encontrado em outras oportunidades e não foi quando estiveram com Miles. Foi lá no início, com outro trompetista: Maynard Ferguson. Joe gostava de explorar as sonoridades dos teclados eletrônicos. Wayne nunca abriu mão do som acústico do saxofone tenor e do soprano. Mas a combinação revelou-se perfeita. Formaram o Weather Report, que viria a se tornar a grande banda do jazz fusion.
Se Miles empreendia uma grande revolução com Bitches Brew, a dupla análogo-eletrônica representou um avanço na exploração do jazz eletrônico. Na primeira formação, contaram com o baixista Miroslav Vitous, Airto Moreira e o baterista Alphonso Mouzon.
I Sing the Body Electric, título tirado de poema de Walt Whitman e do conto de ficção científica de Ray Bradbury, é o segundo álbum. Airto e Mouzon saíram e entraram outro brasileiro – Do Um Romão – e Eric Gravatt. Das sete faixas, as três últimas são registros ao vivo de uma apresentação em Tóquio. Algumas participações especiais são… especiais. A melhor é a de Ralph Towner, um dos grandes virtuoses do violão clássico no jazz, em The Moors, composição de Wayne Shorter.
Os dois primeiros discos, bem experimentais. eram de uma riqueza sonora muito original. Tinha algo das experimentações de Miles em In a Silent Way, pelas ambiências criadas por Zawinul, agora, não submetidas ao crivo do trompetista. Já eram admirados, mas não conhecidos como quando agregaram Jaco Pastorius à banda.
À primeira vista, Sweetnighter (Columbia, 1973) parecia descaradamente comercial. Passado o susto, ficava despudoradamente bom. Os temas eram melódicos, menos abstratos e experimentais. Era um prenúncio do som que ficou como marca mais característica do Weather Report a partir de Black Market. O álbum entre Sweetnighter e este – Mysterious Traveller – ainda tema muito a ver com os dois primeiros.
O início de Sweetnighter é matador. Em Boogie Woogie Waltz, além do contrabaixo de Vitous, há o baixo elétrico de Andrew White. A percussão é de Do Um Romão e Muruga, e a bateria, de Hershell Dwellingham.
Ouça Boogie Woogie Waltz.
Manolete, a segunda, é uma composição de Shorter. Os solos do sax são acompanhados por belas linhas de baixo. Ouça.
Adiós, de Zawinul, tem um pouco da atmosfera de suas outras composições.
Em 125th Street Congress, de Zawinul também, retomam os elementos funkies de Boogie Woogie Waltz, novamente com dois baixos, um elétrico e outro, acústico, e percussão de Do Um Romão e Muruga.
Will, a única composição de Miroslav Vitous, é um belo tema com ele no baixo elétrico, com Andrew White no corne inglês. É outro bom momento; menos funky e mais melódico.
A última é Non-Stop Home. Ouça. Com dois bateristas (Eric Gravatt e Herschell Dwellingham), apenas o baixo elétrico de Andrew White, sintetizadores pilotados por Zawinul, é um típica composição de Shorter, com ele no soprano.

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