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| Herbie Hancock e Joey Alexander |
Com seis anos começou a dedilhar no piano da família. Uma das primeiras coisas que conseguiu tocar foi Well You Needn’t, de Thelonious Monk. Era uma das canções de que tinha gostado da coleção de CDs de jazz do pai, que tinha adquirido gosto pelo gênero quando estudou finanças na Pace University, em Nova York. Logo o colocaram em uma escola de música.
Percebendo o talento do menino, saíram de Bali, e mudaram-se para Jacarta. Em pouquíssimo tempo, participava de jam sessions com outros músicos, que o convidavam. Josiah Alexander Sila era um fenômeno. Com poucas aulas, sua evolução era surpreendente e revelava uma intuição musical que extrapolava o simples aprendizado. A reviravolta na vida de Josiah, agora chamado Joey, aconteceria quando foi convidado para tocar com Herbie Hancock em um evento patrocinado pela Unesco.
A vida da família Sila passou a girar em torno do pequeno Joey. Depois de ter se apresentado em festivais de jazz em Jacarta e Copenhagen e ter recebido calorosa acolhida, mudaram-se para Nova York. No pouco tempo em que está na cidade, tocou no Lincoln Center, ganhou elogios de Wynton Marsalis, foi convidado a apresentar-se em agosto no Festival de Jazz de Newport, e assinou contrato com a gravadora Mótema Music, pela qual acaba de lançar o álbum My Favorite Things.
Meninos prodígios
Na música erudita, são conhecidos muitos casos de garotos (ou garotas) prodígios, como os de Mozart e dos pianistas Nelson Freire, Claudio Arrau e Martha Argerich – para ficarmos apenas nos exemplos de latino americanos. Mas no jazz isso também não é tão incomum. Conhecidos, temos o guitarrista Biréli Lagrène, o menino cigano que foi revelado com sete anos, e o saxofonista alto Francesco Cafiso, que gravou seu primeiro álbum com 15 anos. Mas Joey Alexander é um caso especial, não apenas pela facilidade em tocar o piano, tornando-se desnecessário até aulas no conservatório, mas pela facilidade de improvisar sobre os temas, coisa que quase nenhum prodígio da música erudita consegue. Uma boa mostra dessa limitação é a admiração que Nelson Freire tem por Erroll Garner, revelada no documentário dirigido por João Moreira Salles. É a admiração pelo dom que Nelson não tem: a capacidade de improvisar.
Quem ouve o piano de Joey sem vê-lo, nunca imaginará que tem apenas 13 anos. Isso não acontece apenas pela técnica, apesar dos poucos anos de aprendizado, mas pela sua capacidade de improviso. São poucos os que têm o dom de criar dinâmicas sonoras a partir de um tema. Pelo que demonstrou, é um gênio. Talvez seja precoce dizer que é. Se não evoluir e tornar-se um fracasso, não será o primeiro. No jazz, um bom exemplo é Elgar Djangarov. Descoberto no Quirquistão, participou do programa de Marian McPartland quando tinha 12 anos, e revelou uma técnica fenomenal. Mas técnica não é o suficiente. Aparentemente, não está vingando. É a minha opinião, esclareço. Quando o vi, em um festival em São Paulo, achei muito chato. De instrumentistas habilidosos estamos cheios.
A prova de que Joey Alexander possui essa inteligência musical que extrapola a técnica, basta ouví-lo executando Giant Steps, de John Coltrane, faixa de abertura de My Favorite Things.
Veja Alexander executando Lush Life, de Billy Strayhorn, em um programa de televisão, na Indonésia. Essa canção é a segunda faixa do álbum, nesta apresentação, com outros músicos.
Outra composição incluída no CD é ’Round Midnight. Veja-o tocando a mesma música no Lincoln Center, quando tinha 10 anos.
Ma Blues é uma das melhores faixas do álbum. Ouça.Veja-o tocando Ma Blues com seu trio indonesiano.
Ninguém imaginaria que um tema da Disney se tornasse um standard do jazz. Ouça Joey em My Favorite Things, clássico consagrado por uma versão matadora de John Coltrane no saxofone soprano.
Over the Rainbow é o tema que fecha o álbum.

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