quinta-feira, 2 de abril de 2015

José James. O melhor cantor da atualidade?

Em meio a tantos lançamentos, acabamos esquecendo de destacar aqueles que merecem menção. Um dos bons cantores surgidos nos últimos tempos é José James. Contratado pela Blue Note, No Beginning No End, que já estava pronto, portanto, sem algum palpite de algum produtor da casa, foi lançado e deu maior exposição ao enorme talento de José. Com três álbuns que não mereceram muita atenção da mídia, apesar de muito bons, conquistava o merecido espaço. Rapidamente, estava na lista dos melhores “rising stars”. [Sobre No Beginning No End, leia em http://bit.ly/1DkXQRS e ouça algumas canções do álbum]

Havia me “esquecido” de While You Were Sleeping, lançado em 2014. Seu mais recente Yesterday I Had the Blues – A Tribute to Billie Holiday, com previsão de sair oficialmente por esses dias me “lembrou” do penúltimo. Ao contrário deste, é menos jazz, em uma estrita definição do que isso significa. Em sua maioria, são composições do cantor. A instrumentação não tem nada de mainstream: tem pianos Fender e guitarras, e as músicas vão por uma tradição mais ligada à soul music. É neosoul, é a batida hip-hop absorvida e processada, é um pouco de Nirvana, uma de suas bandas preferidas na adolescência. James faz uma síntese interessantíssima de suas preferências.

Depois de mais uma década do domínio de Kurt Elling como o melhor intérprete masculino, os críticos da Downbeat, no ano passado, escolheram Gregory Porter como o melhor. Entre as mulheres, foi Cécile McLorin Salvant, deixando Cassandra Wilson em segundo lugar depois de muito tempo. Conclusão: os gostos mudam. Cassandra e Kurt continuam excepcionais, mas vai acontecendo um certo cansaço também. Outra razão deve ser a de que Elling não lança nenhum álbum desde 2012, e o último de Wilson ser muito fraco. A conclusão a que se pode chegar é a de que há uma certa saturação de gravações de standards. Um que não é do ramo, apenas para servir de exemplo – Rod Stewart –, está em seu centésimo disco do gênero. Cansa, né?

O melhor?
José James é uma estrela em ascensão. Melhores classificados na Downbeat que ele estão Elling, Bobby McFerrin, Andy Bey, Theo Bleckmann, Giacomo Gates e Tony Bennett. Dentre os citados, três deles são mais mainstream, Bey em classificação intermediária, e dois, como James, aventuram-se por um terreno mais pop, assim como Porter. Este e James têm preferência por repertório próprio e e o jazz é apenas parte (pequena) de suas criações. Dentre todos os da atualidade, tendo a achar James o melhor, apesar de gostar muito de Porter. Tudo é questão de gosto, como dizemos. A voz de barítono, ao mesmo tempo suave, é muito sedutora.

Voltando a While You Were Sleeping, a melhor é a música título. É especial em vários sentidos. É a demonstração de que José é bom compositor também; e o arranjo é perfeito. Veja.





Esta não é a única boa. Without U, de sua autoria, tem uma batida de bateria e baixo irresistíveis.




A próxima do CD segue a mesma batida. Veja o clip de Every Little Thing.




Duas composições dentre as 12, duas não são de autoria de James: Dragon, da “rising star” Becca Stevens, e Simply Beautiful, de Al Green. Veja.




A faixa de abertura é infernal. Ouça Angel. Grande começo. Pura energia.




Com razão, Tom Jurek, do site allmusic, diz que José James é “um dos cantores mais fascinantes surgidos na última década.”


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Kurt Elling: http://bit.ly/1xtQZTD

Becca Stevens: http://bit.ly/1blXHcn

Gregory Porter: http://bit.ly/UjCi2R

Cécile McLorin Salvant: http://bit.ly/1BK5rna

Cassandra Wilson: http://bit.ly/1HfJhww, http://bit.ly/1G9hH5u, http://bit.ly/1FaAhc8

Tony Bennett: http://bit.ly/1ORdtDy, http://bit.ly/1ytxN3v, http://bit.ly/1BXPj09, http://bit.ly/1MpEQpH

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