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| Nico, antes do Velvet Underground |
Andy Warhol resolveu entrar no negócio da música e tornou-se empresário de uma banda chamada Velvet Underground. Faziam parte dela Lou Reed e John Cale. Ele achou que o Velvet precisava de uma “chanteuse”. O empresário era ele e os dois foram obrigados a “engolir”. Ambos só criaram problemas e Nico não ficou por muito tempo. Mas sua participação apenas deu mais beleza a Femme Fatale, All Tomorrow’s Parties e I’ll Be a Mirror.
Ouça Tomorrow’s Parties.
Conta-se que o namoro com Alain Delon não ficou apenas nisso. Dizem que Christian Aaron Päffgen, nascido em 1962, é seu filho. Delon nunca confirmou, e nem Nico. Nova e com a vida agitada, não podia e nem deveria querer aquietar-se para criar o filho. Ari, como Christian era chamado, foi criado pelos pais do ator. Os fatos falam mais alto do que a não confirmação dos dois.
Ter cantado no Velvet Underground e suas boas relações no show business facilitaram-lhe a vida. Logo mais, em 1967, lançou o primeiro solo. Em Chelsea Girl, Nico canta músicas de Bob Dylan, Jackson Browne e até de seus “inimigos” íntimos Reed e Cale. Na verdade, Cale continuou a cooperar com a alemã, apesar da antipatia inicial. Outro bom empurrão para a sua carreira, foi ter conhecido Jim Morrison, que a encorajou a compor.
Ouça Chelsea Girl.
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| Ari, filho de Nico. Semelhança com Alain Delon |
O fato é que a Nico que a maioria conhece é a Nico do Velvet Underground. Não interrompeu de fato a carreira como performer musical, mesmo tendo trabalhado como atriz. Havia se tornado um ícone para as novas gerações de músicos.
Quando morreu em decorrência de um ataque de coração andando de bicicleta, em Ibiza, quando passava férias com o filho Ari, em 1988. Tinha 50 anos.
Ouça Ari’s Song, feita em homenagem ao filho. Está no álbum The Marble Index (1969). O som meio estranho é o do harmônio, que nada mais é do que um tipo mais simples de órgão, que passou a ser marca registrada de suas performances pós-Velvet.
Ao contrário do que se imagina, o vício de Nico não começa com a convivência com a turma da Factory, de Andy Warhol. Todo mundo era muito louco, menos ela. É o que disse. Passou a consumir heroína na época em que morou na França, casada com Philippe Garrel. Se é verdade a sua afirmação, aí é outra história. O importante é que, como aconteceu com Marianne Faithfull, o vício atrapalhou bem. Difícil saber se teria conseguido, não houvesse morrido, manter a carreira, como a inglesa que, mesmo com suas idas e vindas, entrando e saindo de clínicas, bem ou mal, continua gravando, com resultados até satisfatórios.
Uma afirmação interessante é a do diretor Paul Morrissey, um dos Factory Boys: “Nico parecia uma criança, era uma pessoa infantil, muito doce, mas as drogas deixaram-na medonha. Nos anos cinquenta, tinha sido uma modelo famosa por causa daquele visual loiro alemão. Mas com todo aquele veneno em seu organismo, ela quis ficar feia, porque, se você quisesse ser aceito no mundo da droga, devia ser repulsivo e fazer sons feios. Por isso ela se esforçou bastante pra parecer feia e fazer sons feios, mas era apenas uma trilha auto-destrutiva na qual ela entrou quando se ligou em heroína. Ela levou bastante tempo para morrer, mas na época já tinha parado. Estava usando metadona, mas provavelmente o organismo dela estava debilitado.” (Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nico). Nico era uma mulher belíssima e interessante. Ela não soube lidar com isso.
O lado “escuro” de Nico. Quando ainda estava viva, era citada como influência das novas gerações (que, hoje, são velhas), como Siouxsie and The Banshees, Bauhaus. Abriu shows dessas bandas emergentes e chegou a gravar um duo com Marc Almond, do Soft Cell pouco antes de morrer. Podia-se dizer que era um mito vivo. Mas os humanos possuem seu lado negro. Consta que Nico era uma típica ariana. Costumava referir-se a judeus de modo jocoso. Conforme um amigo, judeu, por sinal, considerava-se “fisicamente, espiritualmente e criativamente superior”. Conta-se também que em certa ocasião insultou uma mulher mulata em um restaurante dizendo: “Odeio negros”. Bom, não são episódios que façam alguém admirá-la.
Nico não possui muitos discos em catálogo. A maioria do que existe depois que voltou à Europa, são registros de apresentações ao vivo. Existe muita coisa interessante no meio. A voz marcante, um tanto teatral, as músicas, geralmente, de uma dramaticidade angustiante, revela uma personalidade nunca menos que interessante.
Ouça Frozen Warnings, de Behind the Iron Curtain, de 1986.
Assista a um vídeo de 1982 em que Nico canta Heroes, de David Bowie.
Nico não possui muitos discos em catálogo. A maioria do que existe depois que voltou à Europa, são registros de apresentações ao vivo. Existe muita coisa interessante no meio. A voz marcante, um tanto teatral, as músicas, geralmente, de uma dramaticidade angustiante, revela uma personalidade nunca menos que interessante.
Ouça Frozen Warnings, de Behind the Iron Curtain, de 1986.
Assista a um vídeo de 1982 em que Nico canta Heroes, de David Bowie.


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