terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Diego Figueiredo na guitarra e no violão

Diego Figueiredo, com Gilberto Gil
Menos conhecido em sua terra natal do que em certos países, Diego Figueiredo, paulista de Franca, é um cara boa praça, muito simpático. É um craque no violão, um dentre muitos que cá nasceram. O Brasil é o país do futebol e do violão. Bem tocado, é bom frisar. Desde Carlos Barbosa Lima, mais velho que Rogério Caetano, Yamandu Costa, Raphael Rabello e Marcus Pereira, apenas para lembrar de alguns, somos a terra das cordas, bem, posso estar exagerando.

Diego é inventor de uma forma de tocar o violão. Chama-se “siririca”. Tinha uns 14 anos e fazia violão clásssico. Quando estudava para toca uma música chamada “El Colibri”, descobriu que, em vez de usar o indicador e o médio, poderia usar o polegar para imprimir maior velocidade no dedilhado. Após uma apresentação, impressionada com sua técnica com o dedão, alguém perguntou-lhe se a técnica poderia ser usada só no violão ou para alguma outra coisa. Um primo de Diego, que ouviu a conversa e batizou-a de “siririca”. A história foi contada em um programa de Jô Soares. Se você quiser assistir – porque é muito boa, não só por isso, acesse pela internet https://globoplay.globo.com/v/3507956/. Nela, explica outra técnica: a “pinicada”. Um esclarecimento: parece que esta palavra caiu em desuso. É o mesmo que “beliscar”. Em um sentido semelhante, quando as blusas de lã (natural ou sintética) mais grosseiras irritavam no contato com a pele, falava-se que elas “pinicavam” ou que eram “piniquentas”.

Brincadeiras à parte, o cara é bom. A culpa de não ser tão conhecido é por viver a tocar em outros países e a música instrumental não faz tanto sucesso quanto a cantada. É um globetrotter, como o bandolinista Hamilton de Holanda.

Não é a primeira vez que Diego é citado nesse blogue. Em “Tudo é bossa nova com Cyrille Aimée e Diego Figueiredo” , conto que foi considerado por duas vezes o melhor guitarrista no Festival de Montreux e impressionou o produtor Quincy Jones. Apesar da dificuldade de se encontrar um disco dele nas lojas — está cada vez mais difícil é encontrar lojas que vendem CDs, na verdade —, acessando seu site, vemos que tem vários títulos lançados. Vários foram distribuídos pela Atração Musical e, pelo menos um foi lançado pela Biscoito Fino: “Vivência” (2009). Neste álbuum é acompanhado de Eduardo Machado no baixo e Fernando Rast, Figueiredo toca exclusivamente a guitarra elétrica. É uma boa amostragem de sua versatilidade.
Em “Vivência”, um dos destaques é “Paschoa”.




Em outro CD, lançado em 2008, toca violão acústico com Robertinho Silva na bateria e Rodolfo Stroeter no contrabaixo. Saiu pelo selo dinamarquês Stunt. Neste, abordam clássicos do cancioneiro brasileiro como “Na Baixa do Sapateiro”, “Último Desejo”, “Lamentos do Morro”, “Berimbau”, “O Morro Não Tem Vez”, “A Felicidade” e “Consolação”. É sempre um prazer ouvir um bom violão, ainda mais com a batida de Robertinho.

Veja Diego a tocar “Lamentos do Morro”.




Outro clássico: “Na Baixa do Sapateiro”.


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