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| Peter Gabriel à época do Genesis |
O Genesis fez um tremendo sucesso. Vendeu milhões de discos. Suas letras não eram banais. The Lamb Lies Down on Broadway era uma obra conceitual e ambiciosa. Não eram os únicos a idealizar discos que tinham algum conceito. As bandas chamadas progressivas ambicionavam algo mais sofisticado do que o rame rame básico do rock. Às vezes se perdiam em suas pretensões. Quando dava certo, saíam coisas muito boas.
Peter Gabriel ficou grande demais em The Lamb e acabou por sair e seguir carreira solo. Os companheiros devem ter ficado muito felizes: eram eclipsados pela presença forte de seu cantor. Em vez de contratarem um cantor, elegeram o insosso Peter Collins para substituí-lo nos vocais. Aquela voz um tanto estridente, um sub Peter, fez bastante sucesso, mas, à essa altura, o público do Genesis já era outro.
Se nos palcos Gabriel era “excesso”, nos títulos foi minimalista: Peter Gabriel I, II, III e IV. Quando resolveu colocar um título, foi simplesmente So. Peter tinha muito a dizer. No primeiro que lançou tinha os hoje clássicos Solsbury Hill e Here Comes the Flood. Como nesse, no segundo conta com a presença do genial Robert Fripp, criador do King Crimson.
Peter tinha deixado as esquisitices visuais dos tempos do Genesis. As capas dos primeiros álbuns mostram um rosto que poderia ser confundido com qualquer outro. Existe uma dificuldade natural do público com discos sem título. Arruma-se sempre um jeito de “apelidá-los”; como o sem título dos Beatles: é o “álbum branco”. Dos de Gabriel, no primeiro é um pedaço de carro em um dia chuvoso. Virou o disco do “carro”; o segundo é “scratch” por causa dos rasgos da imagem feitas pelas unhas de Peter; no terceiro, metade do rosto dele está se derretendo, e por isso, “melt”. Este é um dos melhores. No Self Control, I Don’t Remember, Not One of Us e Biko são composições geniais.
Em So, Gabriel ficou pop. A primeira do disco, Sledgehammer, era mais comercial. Vendeu muito. Com várias faixas excepcionais, a melancólica Don’t Give Up, na qual divide os vocais com Kate Bush, é uma torch song emocionante.
Veja o clipe de Sladgehammer.
Gabriel, logo depois, compôs a trilha de A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese. Enveredou pela tal da “world music”. Criou o selo Real World e ajudou a tornar conhecidos os nomes de Nusrat Fateh Ali Khan, Geoffrey Oryema, Farafina e Papa Wemba, dentre outros. Música de qualidade, fruto de pesquisa e bom gosto.
Em 2010, lançou Scratch My Back. Até pra gravar um simples disco de covers, Gabriel inovava. Gravou Paul Simon, Radiohead, Arcade Fire, Regina Spektor, Bon Iver, David Bowie e Lou Reed, dentre outros (leia: http://bit.ly/1cKUZ4X). Em contrapartida, a proposta era: agora vocês cantam as minhas composições.
Neste ano foi lançado And I’ll Scratch Yours. É o complemento de Scratch My Back. Gravar covers é meio caminho para o sucesso, pois já são canções conhecidas. Bem, não é tanto assim. Gabriel não é exatamente um fabricante de hits. É autor de grandes canções e conhecidas por um público mais específico, o que é meio caminho andado.
A primeira é I Don’t Remember, com David Byrne. Ouça.
Em Scratch My Back, Peter Gabriel gravou Listening Wind, dos Talking Heads.
Feist não gravou nada, mas está no CD mais recente com a bela Don’t Give Up. Veja apresentação dela com Gabriel.
Um dos melhores momentos é o de Arcade Fire interpretando Games Without Frontier.
Outro momento alto é de Lou Reed cantando Solsbury Hill. Em Scratch My Back, Gabriel cantou The Power of the Heart.
Veja Joseph Arthur cantando Shock the Monkey.
Quem fecha o disco é Paul Simon interpretando Biko. Escolha lógica: três faixas de Graceland (1986) contam com o grupo sul africano Ladysmith Black Mambazo.
Veja Joseph Arthur cantando Shock the Monkey.
Quem fecha o disco é Paul Simon interpretando Biko. Escolha lógica: três faixas de Graceland (1986) contam com o grupo sul africano Ladysmith Black Mambazo.

É Phill Collins, não Peter Collins... depois eu já não sabia mais se o texto falava de um ou de outro... aff
ResponderExcluirÉ Phil Collins, Solange Vezu.
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