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| Elina Duni pelas lentes de Blerta Kambo |
A Albânia, como a Grécia, ficou por cerca de 400 anos sob o jugo do Império Otomano. Quando tudo poderia ficar melhor, ficou pior, se visto por um lado. Antes da Segunda Guerra, foi invadida pelas tropas de Mussolini. Um dos líderes da resistência, pouco antes do fim da Segunda Guerra, Enver Hoxha, comandou o país até morrer, em 1985. Nesse período, alinhou-se à União Soviética de Stálin, mas não se entendeu muito bem com seu sucessor Kruschev e em 1961 entrou na esfera do comunismo chinês. De novo, após a morte do Grande Timoneiro Mao Tsé-Tung, rompeu relações.
Se era um país pobre, a situação econômica ficou pior. Muitos abandonaram suas terras e fugiram para a Grécia, Itália e países vizinhos nos Balcãs. O regime de Hohxa fez da Albânia um dos países mais fechados do século XX. Mesmo assim, no meio dos comunistas brasileiros havia quem simpatizasse com esse peculiar regime. Tínhamos, além dos tradicionais comunistas, os militantes que preferiram a linha chinesa e alguns que abraçaram a albanesa.
Oprimidos por séculos de dominação e o isolacionismo no século passado, de certo modo, contribuíram para a manutenção de valores culturais locais.
Culturalmente, o nome mais conhecido é o de Ismail Kadaré, escritor sempre lembrado para ganhar o prêmio Nobel e autor de Abril Despedaçado (virou filme dirigido por Walter Moreira Salles). Pouco sabemos, no entanto, sobre a música da Albânia. Uma ponta que é o vislumbre do que é revela-se com Elina Duni.
Nasceu em Tirana em 1981 e, com 11 anos mudou, com a mãe, para a Suiça. Estudou canto e composição e formou um quarteto com o pianista suiço Colin Vallon, o baixista Bänz Oester e o baterista Norbert Pfammatter. Lançou o álbum Baresha em 2007 e logo ganhou reconhecimento. No primeiro disco, além de canções cantadas em albanês, gravou três músicas francesas conhecidas – La javanaise, Ces petits riens e Avec le temp – e Solitary Moon, Loch Ness e Spice Island em inglês.
Ouça Elina Duni cantando La javanaise, de Serge Gainsbourg.
Em Lume, Lume, pela mesma Meta Records, explorou um pouco mais a música tradicional de seu país, Romênia, Bulgária e Grécia. A exceção é River Man, do inglês Nick Drake, em emocionante interpretação.
Ouça River Man.
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Elina Duni canta Kaval Sviri, do folclore búlgaro. Esta é de Lume, Lume.
Tornou-se tão conhecida a ponto de chamar a atenção de Manfred Eicher. Agora, neste ano, estreou com Matame Malit (Beyond the Mountain), pela ECM. É a grande oportunidade para ampliar o número de ouvintes. Pouco antes, em 2011, Eicher produzira o primeio solo de Colin Vallon – Rruga –, em 2011. Sendo pianista de Elina, é possível que isso a tenha ajudado.
Tornou-se tão conhecida a ponto de chamar a atenção de Manfred Eicher. Agora, neste ano, estreou com Matame Malit (Beyond the Mountain), pela ECM. É a grande oportunidade para ampliar o número de ouvintes. Pouco antes, em 2011, Eicher produzira o primeio solo de Colin Vallon – Rruga –, em 2011. Sendo pianista de Elina, é possível que isso a tenha ajudado.
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| Capa de Matame Malit |
Segundo Elina, o álbum vai além da música folclórica. Algumas são canções que foram proibidas de serem difundidas na Albânia. Erë Prnaverore (Spring Breeze) é uma delas. Mini Peza é outra. Conta o drama real de Mini: ela lamenta a prisão de seus filhos que lutavam contra a ocupaçao italiana, nos anos 1940.
É a que você ouve aqui.
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Decerto, Matame Malit não é um disco que faz o gosto mais comum, É cantado em uma língua estranha e são músicas de forte conteúdo regional. Mas, por que não conhecê-lo? O quarteto é de primeira. Vallon é um pianista brilhante, Patrice Moret (até o segundo era Bänz Oester) é um baixista muito bom e a bateria de Norbert Pfammatter é espetacular.
A música cantada por Elina é quase sempre melancólica. Quando perguntada se havia uma tristeza inerente no repertório de Matame Malit, respondeu: “É tristeza. Acho que é mais melancolia. Os Balcãs são um lugar onde a alegria é melancólica, e onde a melancolia pode ser alegre. Nos Balcãs temos um jeito de cantar nossos sofrimentos – é um tipo de terapia.”
A bela Elina canta U rrit vasha. É a décima primeira do CD mais recente. Preste atenção ao piano de Colin Vallon.


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