terça-feira, 26 de novembro de 2013

Prazer, Ann Burton

Capa do álbum Blue Burton
Ann Burton, nascida Johanna Rafalowicz, em 1933, em Amsterdam, morreu em decorrência de um câncer de mama, em 1989. Vinte e poucos anos é tempo suficiente para esquecer-se de muitos e de muita coisa. Aliás, você sabe quem é Ann Burton? Daqui a poucos dias, 29 de novembro, faz 24 anos que morreu. Teria hoje, 80. Em meio a tantos de quem não se fala mais, Burton é estatística.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a família viveu fugindo e se esondendo em razão de serem de origem judaica. Terminada a guerra, os percalços de Johanna não terminaram: a mãe não queria de jeito nehum que tentasse a carreira de cantora. Trocou de nome. Virou Ann Burton e caiu na vida.

O disco que a tornou conhecida – o segundo –, emblematicamente, chama-se Blue Burton. Tinha 36 anos. No ano de seu lançamento, 1967, o mercado da música estava maciçamente dominada pelo rock’n’roll dos Rolling Stones e dos Beatles e foi o ano em que Jimi Hendrix lançava seu primeiro disco. Não era boa época para alguém se aventurar por algum outro gênero. Figurões como Count Basie e Duke Ellington sofriam para manter suas orquestras. Bem que gravaram temas “modernos”, mas não era bem o que o mercado queria.

Músicos que se apresentam nos EUA, naturalmente, tornam-se mais conhecidos. Não é o caso de Ann Burton. Apesar de sediar desde 1976 o North Sea Jazz Festival, um dos mais prestigiados na Europa, poucos músicos possuem projeção fora da Holanda. Duas cantoras se destacam: Rita Reyes, de quem escrevi em http://bit.ly/1bgO6tf, e Laura Fygi, que por ter morado um tempo no Uruguai, canta bem em espanhol e em português. Alguns tecladistas como Michiel Borstlap (gravou com o baterista Bill Brufford), Jasper van’t Hof, Misha Mengelberg e Jef Neve, são relativamente conhecidos fora do país em que nasceram..

Burton gravou regularmente até morrer, mas a discografia não chega a duas dezenas. Um dos mais conhecidos é Ballads & Burton, acompanhada por Louis van Dijk, seu pianista favorito. É uma boa amostra da voz de fundo triste, que lembra um pouco a da americana Irene Kral, morta precocemente também em decorrência de um câncer. Ballads & Burton foi lançado pela Sony holandesa em 1969 e é um belo disco de canções tristes, bem do jeito que eu gosto.

Se você procurar no YouTube, existem vários registros de Burton.

Ouça Bang Bang, de Ballads & Burton.



Ouça It Never Entered My Mind, do mesmo álbum.


Ouça The Shadow of Your Smile.


Ouça Try a Little Tenderness.

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