quinta-feira, 21 de março de 2013

A Change Is Gonna Come. De Sam Cooke à Ida Sand

A pianista e cantora Ida Sand
Quando A Change Is Gonna Come foi lançada, em 1964, seu autor, Sam Cooke, não pôde ouvi-la nas rádios. É que fora lançada duas semanas após a sua morte. Não fez sucesso à época, parece, mas, hoje, é um dos standards do repertório de Cooke e da música popular, parte talvez em razão de ter se tornado o “hino” do movimento americano pelos Direitos Civis. No início dos anos 1960 vigorava ainda a regra da segregação dos negros em relação aos brancos na utilização de banheiros públicos e em ônibus ou quaisquer tipos de transporte. Muitos hotéis não aceitavam negros. E era acintoso, com cartazes afixados com a frase “whites only”.

No dia 8 de outubro de 1963, excursionando pelo sul dos EUA, Cooke e seu grupo foram presos sob a alegação de terem provocado um distúrbio em um hotel em Shereveport, Louisiania. Tinha lá o “famoso” cartaz. Três são as referências para que Cooke se inspirasse para compor A Change Is Gonna Come. Uma foi esse incidente, outro foi o impacto que lhe causou Blowin’ the Wind, de Bob Dylan – ficara impressionado que um “branco pudesse ter escrito uma canção como aquela”; palavras dele –, e a morte do filho de 18 meses por afogamento, em junho do mesmo ano.

Desde 1957, Sam tinha emplacado 18 músicas entre as “30 Top Hits”. Fazia sucesso entre brancos e negros com canções mais “light” que A Change Is Gonna Come. Quem sabe, esta pode ter sido a razão de não ter ido para o topo das paradas de sucesso. Hoje, no entanto, é considerada um clássico. A revista Rolling Stone, em “500 Greatest Songs of All Time” (dezembro de 2004), classifica-a como a 12ª, à frente de Yesterday, de Lennon e McCartney, Blowin’ the Wind, de Bob Dylan, e London Calling, de The Clash.

A Change Is Gonna Come foi gravada depois por dois grandes intérpretes: Otis Redding e Aretha Franklin (leia em http://bit.ly/X8NI4y). Repito as coincidências trágicas com Sam e Otis: o primeiro foi assassinado em 11 de dezembro de 1963 (os detalhes estão no link que eu passei), e o segundo morreu em um acidente aéreo com seu avião particular em 10 de dezembro de 1967. Redding também não pôde presenciar o sucesso de um de seus grandes clássicos; (Sittin’ on the) Dock of the Bay.

Anos depois, ou melhor, décadas, ouço um álbum de uma intérprete sueca cantando clássicos americanos, lançado por uma gravadora alemã, a ACT Music + Vision. Por linhas completamente tortas “cheguei” em Ida Sand. Quando assisti à apresentação do pianista Vijay Iyer (sobre ele, leia http://bit.ly/WnAjas), com Rudresh Mahanthappa, em São Paulo, num festival de jazz, comprei discos de ambos. E eram da ACT Music. Por curiosidade, passei a explorar o catálogo do selo alemão e percebi que havia muita coisa boa. A maioria do cast é de europeus, muitos, escandinavos.

Ida Sand é uma cantora, e pianista também, de origem sueca. Fui de curioso pela seleção em The Gospel Truth. A Change Is Gonna Come, de Sam Cooke, uma das minhas favoritas do gênero soul era uma delas. Outra era God Only Knows, de Brian Wilson, dos Beach Boys. Uma nova geração de músicos mais jovens ligados ao jazz como John Pizzarelli e Jamie Cullum a descobriram. A de Pizzarelli vi numa das vezes em que esteve no Bourbon Street, em São Paulo. Sand incluiu também outra que gosto muito: Ain’t No Sunshine, de Bill Withers (ouça-a cantada pelo próprio e por Melody Gardot em http://bit.ly/XNvf1T), além de Have a Talk with God, de Stevie Wonder, e He Ain’t Heavy, He’s My Brother, de Bobby Scott e Bob Russell, popularizada pela versão de The Hollies.


Ouça Ain’t No Sunshine, com Ida.




A voz de Ida Sand lembra um pouco a de Annie Lennox. The Gospel Song é um disco muito agradável. Está disponível na iTunes Store. Custa US$ 10.99.

Ouça A Change Is Gonna Come.


Nota: todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.

Veja Ida Sand “em ação” cantando If Not for You.









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