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| Lianne La Havas,com muito estilo |
No dicionário Aurélio, o termo “gamar” merece uma linha apenas: “V. t. i. e int. Bras. Gir. V. vidrar (3)”. “Gamado” significa vidrado. “Gamação” deixa a coisa mais explícita: “S. f. Bras. Gir. Amor violento; paixão.” Se “Gir.” quer dizer gíria, aí se explica mais alguma coisa. Certo é que é um termo que caiu em desuso há tempos. É como você dizer que alguém é “batuta”. Você sabe o que significa? Uma pista: a banda de Pixinguinha se chamava “Os Oito Batutas”. Por aí, desconfia-se do que pode significar. “Vidrar”, no Aurélio, merece mais linhas. Um dos significados é “ficar encantado (com alguém ou algo); cativar-se, encantar-se; gamar.” Ou, resumindo, estou gamado (encantado) por Lianne. Perdi o número de vezes que ouvi Is Your Love Big Enough?
São várias as músicas que me “pegaram”. Desde a primeira – Forget – até They Could Be Wrong, a última. Há uma singeleza na instrumentação, sem grandes efeitos como os do disco de Janelle Monáe (leia sobre ela em xxxx) ou da “tardia” Sharon Jones (leia em xxx), puro metal, meio Motown, com os Dap-Kings, ou orquestras melo(dramáticas) ou, comparando-a com uma outra inglesa de origem negra – Sade –, instrumentação sofisticada, meio “jazzy”; na de La Havas, o que fica salientado é uma guitarra sem distorções e bases (baixo/bateria) bem básicas. Assim, o que aparece é a voz doce, sussurante e, como componente “dramático”, ofegante, às vezes. E nessa simplicidade, digamos, reside seu encanto. Parece que está moldada aos nossos sentimentos mais básicos e elementares. Pensando bem, somos pegos facilmente por coisas básicas, pois somos feitos dessas duas matérias: o mais básico possível e o mais insondável.
Chega de conversa. Algumas amostras de Lianne La Havas.
Veja e ouça Lost and Found. A letra é ótima. Uma amostra: “Suba aqui que vou te mostrar/ Onde meus demônios se escondem de você/ Basta olhar e ver o que me tornei/ Estou tão envergonhada que você tenha sido o único a fazer me sentir do jeito que me sinto.// Você acabou comigo/ E me ensinou/ A realmente me odiar/ Desdobrar-me/ E ensinar-me/ Como ser como outra pessoa.”
Veja e ouça Gone.
Veja e ouça Forget.
No Room for Doubt, no programa de Jools Holland.
Is Your Love Big Enough?
Don’t Wake Me Up, a minha preferida.
Ouça a versão original que consta no disco.

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