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| A capa do disco de “Dr. House” |
Hugh Laurie, além de ator, demonstrou que “joga nas onze” É autor de O Vendedor de Armas (Planeta, 2010), cujo título original é The Gun Seller e foi lançado em 1996. Pelo menos, Eton serviu para lhe dar repertório para se tornar um romancista.
Vi alguns episódios de House (tenho duas temporadas em DVD), mas por falta de costume de ligar a televisão, não assisti a algum em que toca e (ou) canta, mas pelos outros, sei que Laurie andou exibindo seu talento musical em alguns episódios.
Minha primeira vez com Hugh foi mesmo com o CD Let Them Talk. Comento um ano depois de lançado devido ao número incrível de coisas que lançam, e algmas coisas, ficam para depois mesmo.
Piada pronta: como cantor é ótimo ator, e como ator é ótimo cantor. Foi mais ou menos o que um amigo disse, certa vez, do compositor americano Philip Glass: “Como compositor é ótimo motorista de táxi, e como motorista de táxi é ótimo compositor.” Curiosamente, Philip Glass e Steve Reich, dois expoentes da música minimalista, trabalharam “na praça” e, antes de deixarem de ser amigos, chegaram a ter uma firma de entregas chamada Chelsea Light Moving, em Nova York. Há até um relato curioso em O Resto É Ruído, de Alex Ross, sobre as profissões ocasionais (e exóticas) de Glass. “Glass trabalhou também como encanador, e um dia instalou uma lavadora de pratos no apartamento do crítico Robert Hughes, que não conseguiu entender por que o famoso compositor do SoHo estava se arrastando no chão de sua cozinha.” (O Resto É Ruído – Escutando o século XX, Companhia das Letras, 2007)
Não é muito distante do que diz o próprio Laurie sobre essa “confusão”: “Pior de tudo; rompi com uma regra cardinal da arte, música e planos de carreira: supõe-se que atores atuem e supõe-se que músicos toquem música. É assim que funciona. Você não compra peixe de um dentista ou pergunta ao encanador sobre consultas financeiras, então por que ouvir um ator cantar?”
Evidente que Laurie não é um “sem noção”, como tantos atores que se acham músicos, cantores ou dançarinos. Escreveu um livro porque sabia-se capaz e, quando toca piano ou guitarra e canta, sabe que não é um qualquer. Impossível, no entanto, dissociá-lo de Dr. Gregory House. Conclusão: Dr. House também canta, e toca piano. E, reconheça-se, bem.
O inglês com sotaque americano (em House), é o inglês que, como ele disse, “não nasceu no Alabama nos anos 1980. […] Deixe eu registrar que sou branco, um inglês de classe média, deliberadamente invadindo a música e o mito do sul da América do Norte.” E cita Eric Clapton, Alexis Korner e os Rolling Stones, que são brancos e ingleses para sublinhar o que disse.
Let Them Talk celebra, principalmente, o blues de New Orleans. Para a empreitada, contou com “a little help from” Allen Touissant, músico e arranjador, autor de um dos melhores discos do ano de 2009 – The Bright Mississippi –, de Irma Thomas, Dr. John, e do inglês Sir Tom Jones. Aliás, Let Them Talk tem muito do clima do disco de Touissant (sobre ele, leia Allen Touissant e seu “Bright Mississippi)
Vamos ouvir Swanee River, de Stephen Foster que, segundo Laurie, “nasceu na Pensilvânia e nunca conheceu o rio Swanee – e nem botou os pés na Flórida, que adotou a música como seu hino estadual, em 1935.
Nada como ser ator. Laurie é um grande entertainer nos palcos. Dá um show antes de cantar St. James Infirmary.
Se você só quer ouvir a música (versão original), aqui está. É a primeira faixa do CD e é uma introdução de ouro ao que vem depois.

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