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| Norah gostou do cartaz (direita) e se inspirou para a capa do CD |
Aquele tecladinho continua na segunda faixa. O astral sobe um pouco quando canta Say Goodbye.
Nunca imaginei que pudesse gostar de Norah. Quando surgiu, parecia mais um daqueles lances de mercado, Os marqueteiros não podiam deixar de citar o que parece, aparentemente, Jones nunca fez a mínima questão de falar: o fato de ser filha de Ravi Shankar. Não fica claro também se a americana Sue Jones foi casada com o indiano (a Wikipedia diz que viveram juntos – ou namoraram – até 1986). Norah, nascida Geethali Norah Jones Shankar, em 1979, “extirpou” as pistas paternas legais. Desconheço se, pelas leis indianas, é legal a poligamia, mas Ravi tem uma filha com Sukanya Shankar, nascida em 1981, dois anos mais nova, portanto, que Norah. Anoushka Shankar é inglesa e é brilhante citarista – gravou até pela Deutsche Grammophon. Além da diferença de dois anos, uma nasceu nos EUA e a outra, na Inglaterra. Já vi Anoushka tocando com o pai; Norah, nunca.
Come Away with Me, lançado em 2002 pelo selo Blue Note, vendeu 23 milhões de cópias. Thriller, de Michael Jackson vendeu 110 milhões. Para um disco de estreante cantando algo soul/folk com pitadinhas de jazz, é bastante. Apesar das reservas, comprei (e gostei) o DVD Live in New Orleans. Na época em que a vi em My Blueberry Nights (leia: http://bit.ly/J9PJF9), de Wong Kar-Wai, em 2008, meu juízo sobre Norah tinha mudado; e seu doce olhar tinha me hipnotizado.
Little Broken Hearts, a terceira, é a música-título. A batida da bateria Joey Waronker se assemelha à de alguma antiga música do Fleetwood Mac, uma das guitarras lembra algum som de Marc Ribot e Lindsay Buckingham, e a voz de Norah lembra vagamente uma mistura de Christine McVie e Steve Nicks.
She’s 22 é mais um destaque desse disco que prioriza o lado escuro das tristezas que as relações de amor nos impõem. “You’ll just throw away/ Every word I say/ You can throw away” (“Você só vai jogar fora/ Cada palavra que digo/ Você pode jogar fora.”). Norah lembra que pode sofrer tanto quanto Cat Power (sobre ela, leia http://bit.ly/JGkGF2 e http://bit.ly/I5untw).
Take It Back, After the Fall, 4 Broken Hearts e Travelin’ On (esta, simples e bela, com um violão e um arco de baixo) seguem na mesma toada de She’s 22. O astral sobe em Out on the Road, em clima de música folk, e com Happy Pills. Mas não se anime tanto. São “up” em relação às anteriores. Miriam e All a Dream fecham o disco e não decepcionam.
Ah, as duas coisas mais comentadas sobre o Little Broken Hearts são sobre a capa e sobre Danger Mouse (ou Brian Burton), que formou o Gnarls Barkley com Cee Lo Green, que o produziu, além do último Black Keys (http://bit.ly/I1FkNW), o Gorillaz e The Good, The Bad & The Ugly. Danger Mouse possui uma coleção de cartazes de filmes de Russ Meyer (era um daqueles cineastas meio trash) nas paredes de seu estúdio. Um deles foi a inspiração para a capa do disco.
Ouça o Bom Dia mais triste do mundo.
Ouça She’s 22. Muito bela.

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