sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Mil e um sóis da meia-noite

Não sei, se um dia, teremos mil e um sóis da meia-noite. Dos “sóis” existentes, devo ter uns quarenta em CDs e DVDs. Teria dificuldade em escolher a preferida, a primeira, no entanto, que me vem à cabeça é a de June Christy, em Something Cool (leia em: http://bit.ly/pbDrTV).

Se tivermos de responder a um questionário sobre as “dez mais”, alguns as terão na ponta da língua. Essas preferências, no entanto, são móveis e, depois de ter ouvido tanta coisa nessa vida, teria dificuldade em escolhê-las. Há canções que, circunstancialmente, lideram nossas “paradas”. A minha, nesse início de agosto, é Knocking on Heaven’s Door, de Bob Dylan: trazem-me algumas boas lembranças. Igualmente, existem as mais perenes. Se perguntado, acho que conseguiria nomear algumas além de Midnight Sun; facilitaria se fosse por gênero, jazz, por exemplo, pop ou erudito.

Ocorreu-me de falar novamente de Midnight Sun em razão de, nesses dias, ter ouvido uma bela interpretação desse clássico contida no disco Modern Art, de Art Farmer (Bill Evans está creditado como parceiro), de 1958. Ouvindo-a, concluo que é uma peça em que o vibrafone é imprescindível. Explicável: é uma composição de Sonny Burke e Lionel Hampton um dos melhores da história nesse instrumento. De 1947, esse tema teve letra acrescida por Johnny Mercer. Circula que o estalo em Mercer de colocar letra em Midnight Sun ocorreu enquanto dirigia numa freeway em Palm Springs.

Em algum lugar, foi dado que a primeira gravação dessa canção é de Ella Fitzgerald em Like Someone in Love (1957), mas o disco Something Cool, de June Christy, é de 1954. Deve existir algum erro aí. Foi gravada também por todo o primeiro time de cantores – Carmen McRae, Sarah Vaughan, Dianne Reeves, Dee Dee Bridgewater, Jo Sttaford, Diana Krall, Irene Kral, Mel Tormé – e a original instrumental deve ter centenas de registros.

Art Farmer tocou na banda de Lionel Hampton
O meu Modern Art não se restringe ao lançamento original. Nas reedições foram acrescentadas algumas outras gravações. Nas faixas em que Art Farmer toca com Bill Evans, eles são acompanhados por Benny Golson no trumpete, Addison Farmer – irmão gêmeo – no baixo, e Dave Bailey na bateria.

As quatro seguintes foram gravadas no mesmo ano de 1958, mas com outra formação: Bob Brookmeyer (trombone), Zoot Sims (sax tenor), Teddy Charles (vibrafone), Addison Farmer (baixo), e Ed Thigpen (bateria). São registros de primeira qualidade: não poderia ser diferente com Sims e Brookmeyer tocando juntos.

As restantes (cinco músicas) são gravações com uma banda grande com arranjos de Bob Zieff. São excepcionais também. Não as conhecia e foi uma bela surpresa. Elas fazem um perfeito conjunto com o restante. Esse CD é de 2004 e é da Lonehill, caso alguém se interesse.

Sobre Art Farmer, recomendo a leitura de um belo texto do amigo Érico sobre ele: http://bit.ly/nInpZE, contido em seu blogue Jazz+Bossa+Baratos Afins (http://ericocordeiro.blogspot.com/). Aliás, se você não o conhece, coloque entre os seus favoritos. Seus textos são longos e detalhados e muito bem escritos.


Imagino que Midnight Sun com Art Farmer não seja tão popular assim. Ouça.


Um comentário:

  1. Meu caro Guen, ser citado no Sobretudo Música é uma honra. Ainda mais em uma postagem que junta Bill Evans e Art farmer, dos dos meus heróis no jazz. Infelizmente, minha edição em cd é a antiga, só com 8 músicas. Mas já pus na sacolinha a nova edição, com nove faixas bônus, inclusive Midnight Sun. Tá a menos de 6 verdinhas no Amazon.
    Em sua homenagem, rola na vitrola o não menos espetacular The Summer Knows, com uma sessão rítmica fabulosa (Cedar Walton, Sam Jones e Billy Higgins) e uma versão de Alfie de arrepiar!

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