![]() |
| Spalding, visual mais “blackpower” que os da Angela Davis |
Esperanza é o “talk of the town” atual. Essa moça, nascida em 1984, novinha desse jeito, já ganhou a crítica e o público. Razões existem. Vamos começar pelas frivolidades: que bela figura é esssa moça de cabelos black power, que lembra os da ativista dos direitos dos negros na década de 1970, Angela Davis! Os de Angela são modestos diante dos de Esperanza. E que charme é uma mulher tocando um instrumento tão masculino como um contrabaixo, e bem.
No segundo disco lançado, com vinte e tralalá, se consagra e a crítica a coloca nos céus. Quem sou eu para contrariar tal endeusamento, mas vou confessar uma coisa: incomodo-me com algumas músicas cantadas por ela; e me ajoelho quando a ouço apenas tocando o contrabaixo, como em If That’s True. Não é sem razão que Joe Lovano a tenha arregimentado para o seu grupo US Five. Se considerarmos que as pessoas evoluem com o tempo, a moça tem uma seara aberta, e ouviremos muito se falar dela.
Enquanto escrevo, nesse exato momento, canta Samba em Prelúdio. Que bela música, e tão bela é sua interpretação, só com o baixo e o violão de Nino Josele. Mas, voltando ao geral, quando ouvi falar dela, corri até as lojas. Por um problema atávico de sempre desconfiar das unanimidades, não caí na onda de achá-la genial e, até hoje, confesso, acho que deveria cantar menos. O estalo – ou a revelação – de que ela é excepcional me vieram depois de assistir a uma apresentação que fez em 2009 no Festival Jazzaldia, em San Sebastian, Espanha.
![]() |
| Ativista Angela Davis |
O CD mais recente de Spalding – Chamber Music Society (2010) – tem uma proposta mais ambiciosa do que a do anterior. Em várias faixas, é acompanhada por um trio de cordas (cello, viola e violino). Alguns vocais são mais elaborados e se contrapõem às cordas, ao contrabaixo, e a algumas sobreposições de voz (tem a participação em uma ou duas faixas da revelação Gretchen Parlato). A interpretação de Inútill Paisagem é um destaque pela sofisticação nos vocais. Wild Is the Wind é outra amostra da elegância dos arranjos de Spalding com Gil Goldstein. Na recente votação dos críticos da revista Downbeat, foi considerado o terceiro melhor disco de jazz do ano. Não o considero merecedor dessa láurea, apesar de avaliá-lo bom. Gosto meu. Depois de descobrir que o Carlos Conde – que foi uma das pessoas mais respeitadas no Brasil, quando o assunto era jazz – não gostava do Herbie Hancock, cheguei à conclusão de que opiniões pessoais devem ser respeitadas.
Esperanza canta e toca Wild Is the Wind.
A do CD.


Nenhum comentário:
Postar um comentário