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| Carla Bruni por Karl Lagerfeld |
É evidente que Carla Bruni, desde o início da carreira como cantora, foi “vendida” como um produto. Seu disco de estreia é muito benfeito e foi planejado para explorar seu lado conhecido, ou seja, o de top model. E veja, contemporânea de Claudia Schiffer, Naomi Campbell e Kate Moss. Quelqu’un m’a dit (2002) é bem-cuidado sob todos os aspectos. Não é um CD qualquer. No encarte de capa dura, temos várias imagens de Bruni posando só ou com um solitário violão. E ela não é simplesmente intérprete: compôs a maioria das músicas, não apenas como letrista. Está certo que influiram no resultado a produção e arranjos do músico Louis Bertignac. Há um DVD de bônus com vídeos dirigidos pelo cineasta Louis Carax. Não é para qualquer uma ter o autor de Mauvais Sang ao lado.
Como se não bastasse, em No Promises, lançado em 2007, tem como parceiros W.H. Auden, Emily Dickinson, William Butler Yeats e Dorothy Parker. Nenhum deles está vivo para reclamar. Seria um bom exercício de adivinhação se teriam ficado felizes ou não. Novamente, o CD tem uma produção impecável graficamente. As páginas brancas são maculadas por desenhos a traço com motivos florais, e a tipografia de traços finos: é um primor de bom gosto. As imagens internas também são belíssimas: sobre a mesa, como uma natureza-morta, repousa um vaso com rosas. O lado frívolo, digamos, é a capa com Carla Bruni, vestida apenas com uma camisola, absorta na leitura de um livro seguro por uma das mãos e apoiado sobre suas pernas nuas. Musicalmente, o disco é bem mais fraco do que o primeiro; e soa um pouco pretensioso musicar escritores tão consagrados.
Lançou depois, se não me engano mais um disco, mas meu interesse bastou pelas duas amostras. Bom, mas ela não é uma Carla qualquer. Mais do que isso: virou mulher do presidente Sarkozy. Ela pode, como diriam alguns. E agora vai ser mãe.
Obs: a imagem de Carla Bruni foi publicada na revista Black + White (nº 32. Australia, agosto de 1998)
Bruni em ação.

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