No fundo, o futuro será como é o presente. É mais ou menos a ideia contida em Axelrod, de Hilda Hilst: "para onde vão os trens, meu pai? para mahal, tami, para camiri, espaços no mapa, e depois o pai ria: também pra lugar algum meu filho, tu podes ir e ainda que se mova o trem tu não te moves de ti."
As personagens de Wong Kar-Wai mudam de paisagem mas não conseguem fugir deles próprios. Em Beijos Roubados, Elisabeth, abandonada pelo companheiro diz que “vai atravessar a rua pelo caminho mais longo”, quando resolve sair de Nova York. A tristeza ou os episódios de felicidade de alguém caminham com ela. Talvez haja uma ilusão de que, ao se caminhar, espantam-se as dores. É razoável e até mais ou menos verdadeiro. As velocidades de percepção, mesmo sendo enganosas, nos dão ilusão de que, estando o “motivo” de nossas tristezas distantes, distantes estarão de nossas mentes.
As pessoas se movem não apenas por tristeza. Há, nas “mudanças geográficas” do jornalista Chow Mo-wan (Tony Leung Chiu Wai – os dois nomes a mais são porque Tony tem um homônimo, ator também) uma busca de felicidade e prazeres também. Mas, desafortunadamente, encontra mais sofrimentos: dores caladas como o amor que desenvolve pela filha do dono do hotel em que se hospeda e, inspirado nela, escreve um romance relatando de um “futuro” 2046.
O trem é uma boa metáfora para essa necessidade do homem de sempre estar se movendo. Esse hipotético 2046 é um lugar em que as pessoas se transportam para recuperarem suas lembranças perdidas. As imagens abaixo são da cidade futurista de 2046.
Para concluir, a bela “Siboney”, por Connie Francis.

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