sexta-feira, 18 de junho de 2010

O presente de Joseph O’Neill e a (memória) presente de Ferreira Gullar

Coincidências são meras coincidências ou acontecem por mecanismos mentais que fazem com que aconteçam?
Uma frase que está contida em Terras Baixas, do irlandês Joseph O’Neill (Ed. Alfaguara, 2009, pág. 156): “Não há momento como o presente. A menos que você tenha coisa melhor a fazer”.
Na coluna dominical de Ferreira Gullar, na Folha de S. Paulo (16 de maio de 2010), intitulada “Surto filosófico”, o assunto é o presente, se outro, não sei. Mas é interessante a coincidência de estar lendo sobre isso: “O poeta é aquele cara que se surpreende com o óbvio e, ao fazê-lo, torna-o surpreendente, pelo menos para si mesmo. Assim é que estou aqui maravilhado com a minha descoberta de que a memória é parte do presente que vivo e não apenas do passado que vivi. […] E o que é o aprendizado, senão memória? E essa memória está de tal modo inserida no presente, que é parte constitutiva dele: fazer é lembrar como fazer, sem se dar conta de que lembra. E ainda: a memória não apenas nos permite fazer por já sabermos como nos ajuda a descobrir modos de fazer, corrigindo o sabido, e assim engendra o futuro. […] Se é impossível pensar sem nada saber, é que só é possível pensar graças à memória.Mas pensar é quase inventar o que se pensa.” Gullar conclui: “A memória me permite inventar o futuro de que me lembrarei, como passado, futuramente.”

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