sábado, 19 de junho de 2010

Memória, presente e os “mortos” por Melhem

José Roberto Melhem lançou em 2002 um livro de contos – Moscas – e depois de sua morte, em 2008, teve lançado pela editora da ImprensaOficial, Uma tarde dessas. É um punhado de contos brilhantemente escritos e faz pensar em algo que o artista Baravelli uma vez disse: “Todo mundo deveria de tempos em tempos ler um livro de Eça de Queiroz. A gente sai falando um português até melhor.” E é assim com Melhem: é um estilista da língua portuguesa, daqueles de dar inveja na gente.

Lembrando do “presente” de Ferreira Gullar, dou de cara com o que Melhem escreve no conto Figuras no corredor:

“Os personagens são como as lembranças, surgem, moldam-se, corporificam-se e em algum momento se vão, ou não se vão, de repente ou não, por vezes demoram a desfazer-se na memória até que deixam, finalmente, de existir por completo, como se nunca tivessem feito parte da nossa vida. Outros há que se integram ao nosso cotidiano e não desaparecem, mesmo que o queiramos com todas as forças. […] quando nos damos conta alguns personagens e lembranças vão se transferindo do nosso presente par aum lugar ignoto, podem ter morrido de verdade ou não, pode até ser que os tenhamos banido deliberadamente de nossa memória, fato é que passam a ser mortos, nossos mortos”.

O livro Uma tarde dessas pode ser encontrado nos sites da Imprensa Oficial (www.imprensaoficial.com.br), da Cultura, da Fnac, da Saraiva, Livraria da Vila e outras.

Um comentário:

  1. Guen
    Parabéns pelo blog.
    Fiquei emocionado e agradecido pelo seus comentários a respeito do livro do meu pai.
    grande abraço,
    Renato Melhem

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