quinta-feira, 16 de julho de 2020

O solo mais bonito de Joe Farrell

Joe Farrell no saxofone soprano. Foto: Jan Perssons

Alguns músicos nunca foram considerados os melhores do planeta, geniais como Miles Davis e John Coltrane e, mesmo assim, em algum momento, deixaram suas marcas. Até o mais comum dos humanos, em algum lugar, na perfeição em que pintou uma parede, nas palavras que podem ter significado muito para alguém, em uma atitude de bondade que nunca imaginou ter, pode tê-la deixado. Qualquer um é capaz de um ato de grandeza, mesmo sendo o mais mesquinho e miserável ser da Terra, sem perceber. Sim, podemos ser geniais, sem, de fato, sermos.

Joe Farrell, sem ser genial, foi um saxofonista e tanto; e bom flautista. Morreu jovem: 49 anos. É, por isso, pouco conhecido e um estranho para aquele com menos de 50. Brasileiros que ouviram Airto Moreira e Flora Purim sabem de quem escrevo, ou, quem ouviu o álbum “Return to Forever”, de Chick Corea, lançado em 1972, com o casal brasileiro, Farrell e o baixista Stanley Clarke.

No mesmo ano, em outubro, gravaram o LP “Light As a Feather”, que acabou saindo em 1973. Os álbuns seguintes, a partir de “The Hymn of the Seventh Galaxy”, Chick Corea consolidou o que ficou conhecido como “jazz progressivo”, usando outros teclados além do piano elétrico Fender Rhodes, na esteira da eletrificação do jazz, cujo pioneiro foi Miles Davis, e intitulou o grupo com o nome do disco citado no parágrafo anterior.

Mas o assunto aqui é Joe Farrell e de sua brilhante interpretação de “Crystal Silence”, de “Return to Forever”. Ouça.




Veja Joe Farrell em uma apresentação ao vivo, na flauta transversal, com Chick Corea.




Chick Corea, além da banda elétrica, seguiu gravando sob o seu nome. Um dos álbuns é “The Leprechaum” (Polydor, 1976), e o outro foi o duplo “My Spanish Heart”. Foi, num certo sentido, uma forma de abrir espaço para a cantora Gayle Moran, com quem acabou casando. Em “The Leprechaum”, Joe Farrell participou. Apresentaram-se na época, no Free Jazz Festival, no Brasil. Eu estava lá. Foi a única vez em que vi Joe Farrell.





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