quarta-feira, 18 de março de 2020

O desprezo

Michel Piccoli e Brigitte Bardot, em “Le mépris”

Dos filmes de Jean-Luc Godard, “Le mépris” está entre os meus preferidos. Ficava assistindo e anotando trechos.

Estão fazendo um filme. Fritz Lang é o diretor, Jack Palance, o produtor, e Michel Piccoli, casado com Brigitte Bardot, é o ator principal, se não me engano.

Trecho 1
“Mas isso não estava no roteiro”, diz o produtor. Lang responde: “Estava. Leia.” Palance pega o script: ‘Sim, está no roteiro.” Pega uma lata de filme e lança-o longe, como um discóbulo.
O diretor arremata: “A palavra escrita é uma coisa, a imagem da tela é outra; isto é cinema.’

Trecho 2 (Fritz Lang)
— Na última cena somos todos Ulisses.
— Jerry, não se esqueça. Os deuses não criaram os homens; os homens criaram os deuses.
— Não é mais a presença dos deuses que salva o homem e, sim, a sua ausência.

Trecho 3 (a dupla ambiguidade da fala de Camille (Brigitte Bardot) para Paul (Michel Piccoli)
— Esqueça, Paul. Finja que eu não disse nada.

Trecho 4 (fala de Jack Palance, parafraseando Goebbels)
— Quando vocês falam em cultura, saco do meu talão de cheques.

Trecho 4 (mais uma de Camille)
— Você é doido, mas não idiota.
 
Michel Piccoli e Brigitte Bardot, em “Le mépris”
 

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