quinta-feira, 12 de março de 2020
McCoy Tyner morre
Mesmo quem não é expert em jazz sabia quem foi McCoy Tyner, falecido em 6 de março deste ano. Tinha 81 anos.
Começou cedo, profissionalmente, com 16 anos. Tinha 18 e estava tocando na Jazztet, de Benny Golson e Art Farmer, tremenda banda com dois mestres em seus instrumentos. O passo seguinte foi virar pianista do quarteto de John Coltrane. Com a adição de Jimmy Garrison e Elvin Jones, formaram um dos maiores combos da história.
Enquanto tocava na banda de Miles Davis, Coltrane gravou uma série de LPs para o selo Prestige, do qual o primeiro também gravou, antes de partir para um longuíssimo contrato com a CBS. Mas é quando assina com a Atlantic Records, que atinge a plenitude como solista e compositor. Ficou clássica a sua interpretação de “My Favorite Things”, tocando saxofone soprano. Nesse LP, de 1961, o piano é de McCoy Tyner.
Foi uma revolução musical. Estava esboçada nos álbuns da Atlantic, mas acontece realmente quando passa a gravar pelo selo Impulse. Seus sidemen foram fundamentais, principalmente, pela energia bruta da bateria de Elvin Jones e as sheets of sound do piano de Tyner, aliado aos longos solos de Coltrane. Sem exceção, todos os álbuns são clássicos.
Quando Alice Coltrane, segunda mulher do saxofonista, passa a participar da banda, Jones e Tyner perdem um pouco de protagonismo.
Carreira solo
No tempo em que era do quarteto, lançou uma meia dúzia de LPs pela mesma gravadora, a Impulse. Após a morte de Coltrane, o selo em que passou a gravar foi o Blue Note, e depois, a Milestone. Foi o seu auge, na minha opinião. Se na Impulse ainda era mais mainstream, no novo selo, executando menos standards e privilegiando composições próprias e dos músicos que participaram das gravações, ele consolidou seu estilo, tão ou mais intensamente composto ritmos frenéticos e “nervosos”.
Tyner deve ter gravado quase uma centena de álbuns como líder. Impossível acompanhar. Tenho 34 na minha coleção. Os meus preferidos são os da década de 1970. O primeiro que ouvi foi “Focal Point” (1976). Depois desse foi “Trident” (1975), o meu preferido entre os que conheço. É um power trio de respeito: ele, Ron Carter e Elvin Jones. Não sei se é o único com o ex-baterista do quarteto de Coltrane. São três composições de Tyner e as restantes são “Once I Loved”, de Antôno Carlos Jobim, “Impressions, de John Coltrane, e “Ruby My Dear”, de Thelonious Monk. É perfeito.
Outro álbum muito bom é “Together” (1979). A formação é excepcional: Bennie Maupin, Freddie Hubbard, Hubert Laws, Bobby Hutcherson, Stanley Clarke, Jack DeJohnette e Bill Summers. A grande qualidade está na harmonia da banda. Hubert Laws, que nunca fez um grande disco como líder, é um flautista com o sopro mais redondo e limpo do jazz. Hubbard está perfeito no flugelhorn e no trompete. Maupin tocando sax tenor e clarineta baixo, Hutcherson na marimba e no vibrafone, DeJohnette, na bateria, Clarke,, no baixo, Summers, na percussão, completam a banda em sintonia celestial.
Dos que merecem ser ouvidos, na minha opinião, elenco “Fly with the Wind” (1976), “Atlantis” (1974), “Horizon” (1979) e “Milestone Jazzstars” (1978). Este último é uma reunião de McCoy Tyner, Sonny Rollins, Ron Carter e Al Foster. É um encontro de gigantes. Em cada um deles, Tyner explora com versatildade os formatos menores e combos ampliados.
Nos álbuns posteriores, não perdeu a verve jazzística. Mas deixei de acompanhar mais atentamente. Se não me engano, estava afastado há mais de dez anos do cenário musical. Sim. É um dos monstros da história do piano. Foi tão original que não conheço algum que seja considerado seu discípulo.
Fiz um playlist no Spotify. Vai lá.
Se não der por aqui, entre em: https://open.spotify.com/user/12180986069/playlist/5OjFWyhzAvAeLRfSIzdFS3?si=BsCZlhbbQyaZeb4RXD7wUg
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