quinta-feira, 15 de agosto de 2019
A imersão no sonho de Dan McCarthy
O sonhar acordado, por mais breve que seja, assemelha-se mais a um pesadelo. Breve. Na continuidade do sono, sonhamos. É a primeira coisa em que penso ao ouvir “A Dream Awake”, a primeira de “Fugitive Epoch”, de Dan McCarthy, lançado neste ano. É um dos mais belos inícios que ouvi nos últimos tempos, e olhe que ouço música o dia inteiro!
Às primeiras notas do vibrafone, escuta-se os sons fantasmagóricos do violino de Mark Feldman e, nervosos, da guitarra de Ben Monder. Nossa, McCarthy montou uma banda de sonhos; com eles, toca o excepcional Steve Swallow, baixista que optou pela versão eletrificada há muito tempo, mesmo sendo músico mais associado ao jazz.
Sem sair do clima de sonhos, “Fugitive Epoch” é uma continuação. A instrumentação econômica de McCarthy, de poucas notas e breves e ostinatos que ajudam a criar um clima mais onírico ainda, um solo espetacular de Monder, sobre o contrabaixo com notas repetidas, estão perto do sublime.
Os títulos são sugestivos do clima sugerido desde o início. A terceira se chama “Softly She Sings Her Song”, “Desert Entrance”, “Strange Medicine on the Desert”. A última, “A Dream, Asleep”, funciona como uma continuação do início: o sonho acordado e o sonho desperto.
Ouça o álbum no Spotify.
Caso não consiga por aqui, acesse o link: https://open.spotify.com/album/0qJ9vIpy5QOLulvIUql9Dx?si=-5cx1kWSRpu88jqOXEMRNg
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