quinta-feira, 28 de março de 2019

Violinistas mulheres e Bach

Bem, não posso dizer com muita propriedade que, antigamente, os principais violinistas eram homens. É meio chute. Creio que o mais conhecido no século passado foi Jascha Heifetz, assim como, David Oistrakh, Nathan Milstein e, talvez, Isaac Stern e Arthur Grumiaux. Em termos de fama, devemos citar Yehudi Menuhin, muito popular, por seu carisma e por suas aparições em programas de TV. De uma geração posterior, Gidon Kremer e Itzhak Perlman.

Um destaque, entre mulheres, uma das pioneiras foi Sarah Chang, considerada menina prodígio. Pouco se fala dela, hoje. A primeira, realmente, a ser considerada um fenômeno foi Anne-Sophie Mutter. Tinha 13 anos, quando Herbert von Karajan convidou-a para fazer parte da Filarmônica de Berlim. Foi assunto até em veículos não especializados em música clássica. Muitos membros da orquestra não gostaram nem um pouco. Mas o “kaiser” Karajan, ex-membro do Partido Nazista nos tempos de Hitler, fez valer sua autoridade. Por bem ou por mal, o maestro sabia o que estava fazendo. Logo, Mutter , por seu talento, calou a boca de seus detratores e firmou-se como uma das estrelas da música erudita. Inaugurou, de certo modo, a era dos astros desse gênero, como estratégia de mercado: intérpretes estrelas, aliando talento e beleza física. Mutter tocava maravilhosamente, com vestidos confeccionados especialmente para ela por casas como a Dior,

A alemã abriu um enorme caminho em um terreno antes dominado por músicos do sexo masculino. Era a vez delas, começando por Viktoria Mullova, pouco mais velha que Mutter. De curioso, sobre Mullova, nascida em 1958, é a de que despontou ainda no período em que o regime soviético “protegia” muito seus talentos. Em excursão na Finlândia, fugiu espetacularmente para o Ocidente. Sua vontade de fugir da ditadura comunista era tão grande que deixou o Stradivarius, que o regime colocou à sua disposição, no hotel. 

Hilary Hahn, uma das grandes violinistas atuais
Vieram outras depois: Hilary Hahn, Julia Fischer, Nicola Benedetti, Rachel Podger, Isabelle Faust e Amandine Beyer. Os homens ficaram em minoria. Os melhores, como Maxim Vengerov e Gil Shaham, foram eclipsados pela nova “big wave”.

Bach, sempre Bach
Na última semana, fiquei a ouvir obsessivamente as “Partitas” e “Sonatas”, os “Concertos para Violino” e as “Sonatas para violino e cravo (ou piano)”,  de Johann Sebastian Bach. Coincidiu com seu aniversário. Bach, acima de tudo e de todos. É o maior compositor de todos os tempos, na minha opinião.

Começou assim: ao ouvir pela primeira vez as “Sonatas e Partitas”, com Amandine Beyer, resolvi fuçar na minha discoteca à procura das mesmas peças com outros intérpretes. Uma coincidência: das mais recentes, todas são do sexo feminino. Além da francesa, ouvi várias com o violino, solos, duos e concertos com Isabelle Faust, Rachel Podger e Hilary Hahn. Não tenho conhecimento suficiente para dizer qual delas é a melhor tocando Bach. Sei que acho todas de primeiríssimo nível. Vale a pena ouvir qualquer uma delas.

Veja Beyer tocando a “Partita BWV 1002 – Allemande”.




Ouça, da mesma “Partita”, o quarto movimento.




Uma das violinistas mais impressionantes da atualidade é Hilary Hahn. Veja-a a tocar a mesma peça.


2 comentários:

  1. Estou com minha sensibilidade em grau altíssimo!e só fechar os olhos e sentir ,além de ouvir! Obrigada Guen!

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