![]() |
| A música de Cohen mudou com Jennifer Warnes |
O próximo LP saiu apenas em 1984: “Various Positions”. O hiato de cinco anos serviu para reoxigenar sua carreirae. Dois clássicos atuais estão nesse disco: “Dance Me to the End of Love” e “Hallelujah”. Outra coisa também tinha mudado. Segundo ele, depois de “50 mil cigarros e várias piscinas de whisky”, sua voz era agora a de um baixo-barítono.
Há duas gerações de fãs de Leonard. A maioria é da “fase 2”. Estes, depois de ouvirem “Hallelujah” e “Dance Me to the End of Love”, descobriram que antes tinha composto músicas geniais, como “Susanne”, So Long, Marianne”, “Sisters of Mercy” e “Hey, That’s No Way to Say Goodbye”, todas lançadss em um único LP: “The Songs of Leonard Cohen” (1967). Quando ficou conhecido tinha, 33 anos, idade um tanto avançada para a revelação de um pop star.
Nessa altura, Cohen, com alguns livros de poesia publicados, era razoavelmente conhecido no Canadá, sua terra natal. Queria mais, no entanto. Foi para os EUA, aventurando por outras searas. A cantora Judy Collins gravou Collins gravar “Susanne”. Foi o primeiro grande passo. Comparado à Bob Dylan, mas diferente, a não ser pela pouca extensão da voz, suficiente para dar voz a sua poesia “cantada”, virou o que chamam de cult.
Um novo Cohen
Na “fase 2”, a voz de Cohen tornou-se mais dark e sua música, mais light. Perdeu um pouco daquela aridez que combinou tão bem com as paisagens invernais de “McCabe & Mrs. Miller” (“Onde os Homens São Homens” no cinema, e “Jogos e Trapaças” em sua versão para DVD), belo filme de Robert Altman, de 1971, estrelado por Warren Beatty e a gloriosa Julie Christie, em que poderia se apostar que aquelas canções foram sido feitas sob encomenda como trilha sonora. Mas tinham sido compostas antes.
Sobre “McCabe & Mrs, Miller” leia no post O bardo canadense Leonard Cohen
Cohen gravou mais discos depois do retorno do que na primeira fase. É provável que, mais em paz, de bem com o sucesso, e menos atormentado por dramas interiores, tenha ficado mais prolífico, ou com menor rigor autocrítico. É o preço que se paga pela felicidade. Em vez do bardo doidão a fazer o discurso de paz e amor, como na apresentação no festival da Ilha de Wight, em 1970, sob o poder kármico de algumas drogas ilícitas, tornou-se uma representação de si mesmo, como um homem vestido com os ternos encomendados em alguma alfaiataria da Savile Row sóbrios e elegantes e legítimos panamás, e não mais o mal barbeado com sobretudos negros ou cáquis e cabelos sebentos, que combinava bem com a figura do artista dos anos 1970. Afinal, o mundo transformou-se e ele resolveu ser “outro”. Não é uma crítica, pois não virou uma caricatura de si mesmo, e ainda tinha talento suficiente para surpreender seu público. Menos atormentado e rodeado de mulheres a lhe dar suporte vocal, trovejava – tanto no sentido sonoro como no de trovador – mais um punhado de belos versos.
Das grandes composições da “fase 2”, além de “Hallelujah”, “Take This Waltz”, “I’m Yor Man”, gosto muito de “The Letters”. É uma das que está em “Dear Heather” (2004). Este álbum é um dos mais interessantes e não muito comentado. Neste, várias delas são em parceria com outros, como Sharon Robinson e Anjani Thomas, que participam nos vocais. A voz grave dos “50 mil cigarros e uma piscina de whisky” soa bela como nunca. Em várias, não canta, recita, e, fora do usual, seus parceiros são Lord Byron (“Go No More A-Roving”) e Frank Scott (“Villanelle for Our Time”). Sua voz soa sublime neste último. Ouça.
Ouça “The Letters”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário