quinta-feira, 16 de junho de 2016

Margrete Grarup e o mínimo para ser belo

Margrete Grarup e Mads Vinding
“Este CD é uma jornada contínua através de uma paisagem em constante mudança. Ao longo do caminho, seus ouvidos vão encontrar simplicidade, fragilidade, ferocidade, sensibilidade e um sentido especial de grandeza no menor dos detalhes. De belas baladas de sentimentos tempestuosos ao jazz suingado – tudo muito bem executado pela voz única e expressiva de Margrete Grarup. Cada faixa tem uma identidade própria – mesmo assim, seu conjunto forma um todo.”

Depois de ler isso, concluí: “Preciso conhecer Margrete Grarup.” Apesar de não conhecê-la, alguns que fazem parte de Walk with Me, sim, a começar pelo baixista Mads Vinding, o pianista Carsten Dahl e a percussionista Marilyn Mazur. Partindo do princípio do “diga-me com quem andas e direi quem és”, esses nomes bem conhecidos na Europa são um bom princípio. Margrete é dinamarquesa. Nasceu em um lugar por uma grande tradição. O Jazzhus Montmartre, mais conhecido como Cafe Montmartre, em Copenhagen, é uma das casas de jazz mais tradicionais da Europa.

Em segundo lugar, vou dar uma olhada nas músicas escolhidas. Velhos standards? Sim. Mas sou curioso e penso sempre que existem infinitas formas de interpretá-los. Concordo com os que dizem que o repertório Tin Pan Alley é déjà vu, mas, fazer o quê? É 70% do disco, e não incluo Everyday I Have the Blues e a música título, nessa categoria. Summertime, On the Sunny Side of the Street, Georgia on My Mind e Blame It on My Youth, Strange Fruit e Nature Boy, sim. Esta última é a mais nova. É de 1948.

Grarup opta pelo mínimo de instrumentação. Em uma é só o contrabaixo acústico de Vinding, em outra, ao órgão acrescenta-se a percussão elegante de Mazur, e assim, vai. Sua voz lembra um pouco a de Annie Lennox, principalmente em Walk with Me. Falta alguma coisa para que o disco seja impecável, talvez por culpa de sua maior qualidade, a de ser parcimoniosa na instrumentação. Mas Walk with Me, Georgia on My Mind, Strange Fruit e Nature Boy fazem valer uma audição cuidadosa. Margrete Grarup é uma bela novidade para nós que pouco conhecemos do jazz que se faz na Dinamarca.


Georgia on My Mind, com o Hammond de Rasmus Setmholm, é uma das melhores. Ouça.




Gostaria de disponibilizar alguns originais do álbum, mas vi no YouTube, que quem fez isso antes foi bloqueado. Por essa razão, estou colocando versões diferentes que estão no site em outras versões. Uma dos melhores números é Walk with Me, Aliás, a que tem no YouTube, com Mads Vinding e Carsten Dahl, é excepcional. Veja.




Strange Fruit e Summertime foram gravadas em Walk with Me. Veja na apresentação de Grarup, com seu grupo.




You Don’t Know What Love Is
não está no álbum. Mas vale a pena ver essa interpretação de Margrete, com Mads.

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