quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O filme noir de Twin Danger

Vanessa Bley e Stewart Matthewman
Twin Danger é um nome bem apropriado para esta banda e este disco. Há um perigo estilizado na música aqui, na mistura de jazz, r&b, film noir e romance noturno. Em todas as canções há um senso de atmosfera e lugar. O saxofone noturno-chuvoso, o trumpete com surdina, os arranjos em tom menor, constroem um cenário para os ouvintes mergulharem em seus pensamentos.”

O primeiro parágrafo da crítica de David Kunan (Downbeat), em que confere 4 estrelas a Twin Danger, descreve perfeitamente a sensação que temos ao ouvir a voz de Vanessa Bley e os que a acompanham.

Quem leu o post anterior deve ter percebido o nome “Bley” em comum. Pois Vanessa é filha de Paul com a produtora de vídeo Carol Gross. Em outro ao falar de Natalie Cole, falecida agora em 31 de dezembro, outra conexão: o dos problemas de ser filho ou filha de alguém famoso. Aparentemente, para Vanessa isso é apenas um detalhe. Ela e a banda fazem alguma coisa que vagamente pode ser considerado jazz. Assim, estão afastadas as possíveis comparações. É mais ou menos “Frank Sinatra meets The Clash”, como foi definido por um site.

Filha do terceiro casamento de Paul, a diferença de idade em relação a ele é bem grande, portanto, sua turma é bem outra. Quem chama a atenção logo na primeira audição é o saxofonista e guitarrista Stuart Matthewman. Assim pelo nome, é difícil? Toca – ou tocava? – na banda da anglo-nigeriana Sade Adu. Ah, assim ficou fácil. Agora está lembrado? Essa pode ser a primeira associação que é possível se fazer quando ouço o Twin Danger.

É isso mesmo. Logo nos primeiros segundos da faixa de abertura lembramo-nos de Sade por causa do sax de Matthewman. Em clima sedutor, meio “easy listening”, com uma bela base de sopros combinados, entra a voz de Vanessa. É doce, mas não possui aquela aspereza das vozes negras. É afinada e pode lembrar centenas de outras cantoras. Existe um clima de sons que poderíamos ouvir em um bar meio escuro. Pointless Satisfaction serve bem para a sequência com a bela Coldest Kind of Heart. Nossa, essa é muito delicada e bela.

Veja o clip de Coldest Kind of Heart.




Veja também a faixa de abertura, Pointless Satisfaction.




Pelos clipes, fica bem claro, pelas filmagens em preto e branco, que a banda força uma associação com o clima noir de filmes americanos antigos. A qualquer momento, imaginamos alguma personagem de Dashiell Hammett entrando no clipe. Comercialmente, é um bom apelo.

O sax de Matthewman, apesar de simples, é sedutor. Os sopros são sempre bem colocados. Nem é necessário muito para que produza belas harmonias, como em When It Counts.




No One Knows tem um clipe muito belo e a música é igualmente bela. O clima dela é sensual e tem uma levada jazzística muito charmosa, fora a interpretação de Vanessa. É uma das grandes faixas. O original é do Queens of the Stone Age. Nem dá para acreditar. A banda transforma a música.




Quer ouvir mais? Para a nossa felicidade, tem muita coisa postada no YouTube. Vai lá.

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