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| Leny Andrade e Roni Ben-Hur, muito à vontade |
Mais improvável do que que brasileiros influenciados pelo jazz pode ser a de israelenses gostarem de música brasileira e/ou latina. O melhor exemplo é o de Anat Cohen. Virtuose na clarineta, craque no saxofone, parceira eventual do Choro Ensemble, autora de gravações excepcionais de clássicos como 1 a 0 e As Rosas Não Falam, gosta tanto daqui que até aprendeu o português. [Sobre Anat e sua paixão brasileira, leia http://bit.ly/1Gft3Iq]. A “israeli-brazilian connection” não para por aí. Outro, de nome curioso, revela sua paixão pelos trópicos por suas ligações com brasileiros emigrados como Nilson Matta e Duduka da Fonseca. Israelense de nascimento, Roni Ben-Hur cresceu na Tunísia, iniciou a carreira de músico em clubes israelenses e, desde 1985, mora nos EUA.
A união de dois músicos improváveis gerou Alegria de Viver, lançado em 6 de outubro, pelo selo Motéma. Em um encontro em 2012, no Maine, quando se conheceram, Leny disse a Ben-Hur de que gostaria de gravar um disco com ele. Em janeiro de 2014, em Niterói, ensaiaram e selecionaram o que gravariam. De acordo com Roni, os arranjos, os tempos e a seleção das canções foram de responsabilidade dela. “Na verdade, eu era o sideman”, declarou.
Leny, aos 70, está cantando muito bem ainda. Alegria de Viver é a prova. Aparte standards mais que conhecidos como Dindi, Estrada Branca, Ana Luiza, Carinhoso e O Cantador, de Dori Caymmi, bem conhecidas até nos EUA, canta outras, menos populares e muito lindas como É Preciso Perdoar, tornada conhecida na interpretação de João Gilberto, de Carlos Coqueijo e Alcivando Luz. Antológica meso e mais vibrante do que a de João é a com Ryuichi Sakamoto, Caetano Veloso e Cesária Évora.
Ouça esta versão.
Não se tornará tão antológica quanto a de Évora, Caetano e Sakamoto, é esta com Leny, boa na medida, com a sutil guitarra de Roni.
Além da citada acima, temos, dentre outra, Balanço Zona Sul, do pirajuiense Tito Madi, É Só Amar, de Johnny Alf, Rugas, de Nelson Cavaquinho, Passa por Mim, de Marcos e Paulo Sérgio Valle, bem conhecidas por aqui, mas lá, possivelmente, não.
Do belo Alegria de Viver, ouça Samba Iluminado, de Fred Falcão e Marcelo Silva, canção que abre o disco.
Aqui você tem um preview do álbum.

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