quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O novo Leny Andrade lançado nos EUA

Leny Andrade e Roni Ben-Hur, muito à vontade
O jazz brasileiro tem sua maior expressão em Leny Andrade. A associação ao gênero, provavelmente, vem de seus inconfundíveis scats, que é um recurso tipicamente do jazz. Mas Leny é brasileira em sua essência. Não seria tão respeitada fora daqui se fosse mais uma cantora de jazz nos moldes de uma Sarah Vaughan, apenas para citar uma de suas grandes influências. O “molho brasileiro” é essencial para que ganhe até elogios do maior cantor vivo (aos 89 anos). Tony Bennett diz que que “Leny é uma das maiores improvisadoras do mundo. Amo o jeito dela cantar. Ela é original.”

Mais improvável do que que brasileiros influenciados pelo jazz pode ser a de israelenses gostarem de música brasileira e/ou latina. O melhor exemplo é o de Anat Cohen. Virtuose na clarineta, craque no saxofone, parceira eventual do Choro Ensemble, autora de gravações excepcionais de clássicos como 1 a 0 e As Rosas Não Falam, gosta tanto daqui que até aprendeu o português. [Sobre Anat e sua paixão brasileira, leia http://bit.ly/1Gft3Iq]. A “israeli-brazilian connection” não para por aí. Outro, de nome curioso, revela sua paixão pelos trópicos por suas ligações com brasileiros emigrados como Nilson Matta e Duduka da Fonseca. Israelense de nascimento, Roni Ben-Hur cresceu na Tunísia, iniciou a carreira de músico em clubes israelenses e, desde 1985, mora nos EUA.

A união de dois músicos improváveis gerou Alegria de Viver, lançado em 6 de outubro, pelo selo Motéma. Em um encontro em 2012, no Maine, quando se conheceram, Leny disse a Ben-Hur de que gostaria de gravar um disco com ele. Em janeiro de 2014, em Niterói, ensaiaram e selecionaram o que gravariam. De acordo com Roni, os arranjos, os tempos e a seleção das canções foram de responsabilidade dela. “Na verdade, eu era o sideman”, declarou.

Leny, aos 70, está cantando muito bem ainda. Alegria de Viver é a prova. Aparte standards mais que conhecidos como Dindi, Estrada Branca, Ana Luiza, Carinhoso e O Cantador, de Dori Caymmi, bem conhecidas até nos EUA, canta outras, menos populares e muito lindas como É Preciso Perdoar, tornada conhecida na interpretação de João Gilberto, de Carlos Coqueijo e Alcivando Luz. Antológica meso e mais vibrante do que a de João é a com Ryuichi Sakamoto, Caetano Veloso e Cesária Évora.

Ouça esta versão.




Não se tornará tão antológica quanto a de Évora, Caetano e Sakamoto, é esta com Leny, boa na medida, com a sutil guitarra de Roni.




Além da citada acima, temos, dentre outra, Balanço Zona Sul, do pirajuiense Tito Madi, É Só Amar, de Johnny Alf, Rugas, de Nelson Cavaquinho, Passa por Mim, de Marcos e Paulo Sérgio Valle, bem conhecidas por aqui, mas lá, possivelmente, não.


Do belo Alegria de Viver, ouça Samba Iluminado, de Fred Falcão e Marcelo Silva, canção que abre o disco.



Aqui você tem um preview do álbum.

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