quinta-feira, 2 de julho de 2015

Aaron Diehl relembra o Modern Jazz Quartet

John Lewis, Milt Jackson, Percy Heath e Kenny Clarke, e depois, Connie Kay, eram uns “coxinhas” com todas as letras. Apresentavam-se vestindo ternos bem cortados, impecáveis, quando não, formais tuxedos. Não foram os pioneiros nesse quesito. Na verdade, o jazz sempre foi elegante. É que o quarteto elevou isso a um patamar inédito. E não eram apenas na aparência. A música deles era a representação dessa elegância.

John Lewis, admirador de Johann Sebastian Bach, acreditava que a linguagem da música erudita era compatível com a do blues. Juntou o contraponto das composições do alemão com a improvisação do jazz. Era algo que, pela falta rótulo, inventaram um: jazz de câmera. A música deles emanava uma sobriedade que não combinava com lugares barulhentos como bares e clubes em que seus clientes enchiam a cara. Era música para sala de concerto.

O quarteto teve vida longa. Criado em 1951, durou até a saída de Milt Jackson, em 1974. Reuniram-se esporadicamente até 1993. O MJQ criou um estilo e este morreu com o fim da banda.

Aaron Diehl passou a ser conhecido depois de participar do concurso Jazz at Lincoln Center's Essentially Ellington, de onde saiu reconhecido como “outstand soloist”. Foi convidado por Wynton Marsalis para fazer parte de seu septeto. Não tinha 18 anos na época. Depois de gravar dois álbuns, assinou contrato com a Mack Avenue Records e lançou, em 2013, The Bespoke Man’s Narrative.

Neste disco, a formação instrumental é igual a do Modern Jazz Quartet. Aaron é admirador de John Lewis, mas afirmou que não é um tributo à banda. Mas, é impossível dissociá-los quando ouvimos o vibrafone de Warren Wolf tocando com Diehl. Há também outro dado que remete ao MJQ: o título. O sinônimo de “bespoke” é “tailored”. Deve ser uma referência aos ternos bem cortados de John Lewis & cia.

Mas o que Aaron diz é verdadeiro. Evidente que quando tocam The Cylinder lembraremos logo do MJQ; afinal, esta composição é um dos temas mais conhecidos da banda. Stop and Go, que vem depois de The Cylinder, também. Mas as restantes, não. Ou melhor, é possível que Forlane, de Le tombeau de couperin, de Maurice Ravel, lembre, mas por razões prosaicas: por ser um tema da música erudita.

Ouça o tombeau no belo arranjo de Aaron. O original tem cerca de seis minutos; o dele tem onze.





Dentre as composições de Diehl, o destaque é Generation Y.





Dos standards, os destaques são Moonlight in Vermont e A Single Petal of a Rose, um clássico ellingtoniano. Veja-o tocando essa música em apresentação no Dizzy’s Club.




Veja também em Moonlight in Vermont.





Diehl admira John Lewis. Compôs Three Streams of Expression em sua homenagem. Não está no álbum, mas veja-o tocando One Never Knows, um clássico do MJQ.




Aaron Diehl acaba de lançar mais um álbum: Space, Time, Continum. É muito bom, mas fica para uma próxima vez.





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