terça-feira, 14 de abril de 2015

A “pressa” de Dayna Stephens

Um saxofonista em trajetória ascendente é Dayna Stephens. E produtivo: desde 2012, como líder, lançou seis álbuns. O penúltimo – Peace –, do ano passado, recebeu críticas calorosas. Agora, acaba de lançar mais um: Reminiscent. E não abaixa a bola. A cada álbum novo, está mais afiado.

Dayna é um rapaz ainda. Com 36 anos, além das gravações e shows, desenvolve trabalho intenso e atuante como educador. Nasceu no Brooklin, cresceu em San Francisco. Dayna tem fome de viver. Esse fazer intenso pode ter alguma relação com a glomeruloesclerose. Esse mal raro, que atinge 20 pessoas em um milhão, exige um gasto de 4 mil dólares americanos mensais para o seu tratamento. A única cura possível é por meio de um transplante do rim.

A doença não é impedimento para Dayna continuar a fazer o que melhor faz: tocar. Peace, lançado ano passado, é um “ao vivo” no Blue Note, e conta com um lineup de deixar queixos caídos. Nessas seções, tocam com ele o pianista Brad Mehdau, Larry Grenadier, Eric Harland e Julian Lage, a grande estrela em ascensão na guitarra. A primeira faixa é a que intitula o disco. É um clássico de Horace Silver, com brilhante intervenção de Mehldau. A segunda, serve como um comentário à sua ida ao lado leste para estudar: I Left My Heart in San Francisco. E Dayna mostra que é bom também no sax barítono. Repete a dose em Body and Soul e Moonglow.

Na terceira faixa, a vez é de Jobim, em Zingaro, aka Retrato em Branco e Preto. As intervenções de Brad Mehldau e Julian Lage dão um colorido especial ao sax tenor de Stephens. Na faixa seguinte – A Good Life –, toca um tenor envolvente que lembra vagamente o mestre Ben Webster, com menos “vento”. Em The Duke, composição de Dave Brubeck, Dayna retorna ao barítono, com acompanhamento sempre discreto e belo de Lage.

A abertura de Brad Mehldau com a guitarra de Julian é perfeita para a entrada de um pungente tenor para Deborah’s Theme, de Ennio Morricone. Este era um mestre de perfeitas melodias. Discreto e econômico, Julian Lage mostra porque ganhou a crítica com uma guitarra sublime no conhecido Oblivion, de Astor Piazzolla. E Dayna não fica atrás: seu soprano é emocionante.


Ouça Oblivion.




Depois de Oblivion, as canções são Body and Soul, Two for the Road, de Henri Mancini, e a citada anteriormente, Moonglow. Grande fecho, em duo com o contrabaixo de Larry Grenadier.


Ouça.





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