terça-feira, 11 de novembro de 2014

O novo Pink Floyd é só para os fanáticos pela banda

Bela capa do novo Pink Floyd
Com a saída de Sy Barrett, entrou David Gilmour Alguns podem dizer que o Pink Floyd piorou. Pode ser. Os dois primeiros álbuns são excepcionais. O próximo a sair foi Roger Waters. Na briga, ficou a questão de quem tinha direito à marca “Pink Floyd”. Waters se deu mal. Depois disso, alguns dizem que a banda ficou pior. Ficaram Richard Wright, Nick Mason e David Gilmour.

O álbum mais apreciado pelos fãs e não tão fãs é Dark Side of the Moon. Parece que é consenso ver Roger Waters como a “cabeça” intelectual de álbuns conceituais como o citado e The Wall. Pode ser. Mas a identidade musical, a marca do que percebemos como sendo a banda, se deve muito ao estilo da guitarra de David Gilmour e sua voz única, bem normal, mas de registro muito agradável, e aos teclados de Wright. Ficou evidente que os fãs continuaram fiéis aos membros remanescentes e menos ao baixista.

Como há um número enorme de fãs do Pink Floyd com menos de 50 anos, esses gostam da fase Gilmour e pouco conhecem os dois primeiros, ou até Ummagumma, já com David, o mais experimental da discografia deles.

Independentemente da idade, sejam aqueles que tiveram contato com a banda à época de Syd Barrett, ou depois, o Pink Floyd tem essa qualidade quase atemporal de ter fãs de todas as idades. Muitos devem ter ficado na expectativa com a notícia de que lançariam um álbum com inéditas. Inéditas sim, o que não quer dizer que estão apresentando novas composições.

Como Rick Wright morreu em 2008 em decorrência de um câncer, os Floyds são Gilmour e Mason. Eles dizem que é o último. Os nostálgicos da banda podem matar as saudades com os álbuns do guitarrista que, por sinal, de tempos em tempos, lança álbuns como líder, isso, até quando ainda o Pink Floyd encontrava-se na ativa. Mason gravou apenas um – Nick Mason's Fictitious Sports (1981) – e deve estar mais interessado em usufruir das milhões de libras que tem depositadas no banco. Aliás, seu único solo é bom e conta com o genial Robert Wyatt, que foi do lendária Soft Machine.

Ao anunciarem o novo álbum, disseram que era um tributo a Rick. Verdade. A maioria das composições é de sua autoria. Os remanescentes retrabalharam e remixaram a partir de registros de estúdio de Division Bell. Aquele climão tipicamente floydiano, viajante, com guitarras de ótimo gosto, está em cada trecho do álbum. Mas não é nada mais do que isso. Funciona bem para uma trilha sonora. É uma colcha de retalhos – ou de sobras –, belas, muitas vezes, mas retalhos. Enfim, é um disco para os seus fãs mais ardorosos. Uma última coisa: é o primeiro álbum deles depois de 20 anos. É apenas para afirmar que estamos ficando velhos.

Na maioria, as faixas são como vinhetas, pílulas da felicidade para o ouvinte. Ouça Alons-Y 1 e 2. São das melhores do álbum.




Belo órgão de Rick Wright em Autumn ’68.


Surfacing. Mais Pink Floyd, impossível.

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