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| Catherine Russell, cantora 5 estrelas |
Catherine Russell foi backing de dezenas de figurões: David Bowie, no tour de Heathen, Steely Dan, Paul Simon, Cindy Lauper, Jackson Browne e Michael Feinstein. Surgiu a chance de gravar um disco pelo selo World Village, da Harmonia Mundi, em 2006. Sua estreia mereceu elogios de Will Friedlander (“She is a fresh and original voice.”) e considerou-o um dos dez melhores lançamentos do ano. A boa recepção possibilitou que continuasse a gravar: Sentimental Break (2008), This Heart of Mine (2010), Strictly Romancin’ (2012), e agora em fevereiro, Bring It Back. Strictly Romancin’ havia angariado o Prix du Jazz Vocal pela Academia de Jazz da França.
Bring It Back segue a trilha do anterior, com um repertório eclético. Catherine não possui nenhuma característica vocal exponencial que nos faça pensar que estamos frente a uma nova Sarah Vaughan ou uma Janis Joplin. Será isso tão importante? Intérpretes podem se diferenciar por outras características. Uma delas é uma certa inteligência interpretativa. Não faltam vozeirões sem a mínima compreensão do que cantam.
Allen Morrison, da revista Downbeat, escreve que “por não tentar ser ‘moderna’, ela, paradoxalmente, cria algo novo, retrabalhando canções vintage com energia, vocais expressivos e novos arranjos marcantes que dão novo brilho e balanço, que é a base do jazz.”
Bring It Back é um título ideal, pois Catherine resgata um repertório antigo e nem tão conhecido. O entusiamo de Morrison, ao dar 5 estrelas para o álbum, está claro quando diz que “ela revigora canções de três eras - da era do jazz, da era do swing e da era do rhythm and blues – com igual fervor, acompanhada de um vibrante tenteto que transforma as músicas que são peças de museus em sonoridades modernas para a linguagem do jazz.” A classe com que Catherine Russell faz essa síntese vem da enorme experiência como backing e, mais ainda, por uma cultura musical absorvida com os pais. A mãe Carline Ray era baixista, cantora e membro original da International Sweethearts of Rhythm, e o pai Luis Russell, pianista e bandleader, foi diretor musical de Louis Armstrong.
Depois desse elogio, só falta ouvir algumas canções de Bring It Back. Ouça Aged and Mellow, música de Johnny Otis, de 1952.
Strange at It Seems, a minha preferida do disco.
Ouça After the Lights Go Low.
Veja Russell em ação cantando Romance in the Dark. A música faz parte do de Strictly Romancin’, penúltimo álbum.
Veja o vídeo promocional do lançamento de Bring It Back. Aqui faz referência à mãe e ao pai.

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