terça-feira, 27 de maio de 2014

A música brasileira por quatro belas mulheres

Foi lançado há pouco tempo um disco bem interessante com temas brasileiros interpretados por francesas, ou estabelecidas na França, já que uma delas nasceu em Tel Aviv (Liat Cohen) e outra em Bruxelas (Helena Noguerra). A parte surpreendente é que dois dos componentes são mais conhecidos no mundo do cinema e as outras duas, profissionais da música erudita. Mais crossover, impossível.

Agnes Jaoui é conhecida como atriz, diretora do ótimo O Gosto dos Outros (Le goût des autres, 2000) e roteirista com o ex-marido Jean-Pierre Bacris de Smoking/No-Smoking, de Alain Resnais. Com esse currículo, além de muito bonita, como diria uma amigo, só faltava cantar. E é o que ela faz, e bem. Agora, admiro-a mais ainda. Outro amigo, um tanto misógino, dizia que as mulheres bonitas nem precisam falar. Discordo, mas está registrado sua opinião.

Tão bela quanto Aoui é Natalie Dessay. Brasileiros que gostam de música erudita a conhecem muito bem: foi artista residente da Osesp, a melhor orquestra do Brasil. A imagem que temos de cantoras de lieder e óperas são aquelas figuras enormes, não muito privilegiadas pelas mãos de Deus esteticamente, como Birgit Nilsson, grande wagneriana, ou Montserrat Caballé, conhecida pela patuleia por ter cantado com Fred Mercury, aquele cantor de bigodinho de uma banda chamada Queen.

Outra da área erudita é Liat Cohen. Natural de Tel Aviv, cresceu na França e estudou em conservatórios e, segundo a Wikipedia foi a primeira violonista clássica a ganhar o prestigiado Prêmio Nadia e Lili Boulanger. Liat tem um dedilhado limpo. É um talento a ser observado.

Como Jaoui, Helène Noguerra é atriz; e é apresentadora na televisão belga. É a única que fala português, efetivamente; por uma razão bem simples: é filha de português. Deveria ser Nogueira, presumo, mas nascida em Bruxelas, virou Noguerra, tônica no “a” final.

Cantoras ou não – pelo menos, morando no Brasil, nunca imaginaria que Jaoui cantasse também –, o fato é que tanto Agnes e Helena não fazem feio. Bom, de Natalie nem é preciso falar; é um soprano das melhores da atualidade. Quer conferir? Que tal ouví-la cantando a Bachiana no. 5?




O que surpreende, descontando que Helène sabe o português, impressionante como as três moças viram-se bem em nossa língua encantada. Ouça Samba em Prelúdio, um dos clássicos de Vinicius de Moraes, com Agnes Jaoui e Helène Noguerra.




Nem citei o nome do álbum até agora. Sugestivamente, chama-se Rio Paris, lançado pelo selo Erato. O disco está à venda na Apple Store brasileira por USD 6.99. Cometi a besteira de comprear pela loja americana. O preço é maior: USD 9.99. Percebi depois. Vale a pena a compra.

Mais um pouco: ouça Liat Cohen solando Baden Powell em Choro lento.




Para finalizar, a faixa final com as quatro: Bidonville-Consolação.




Veja as quatro em Les eaux des mars. A loura é Dessay, a de vermelho, Jaoui, e a de preto, Noguerra.




Veja o filme promocional.

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