terça-feira, 1 de abril de 2014

Para Gill Manly, basta um piano

Fora do circuito, por não serem americanas, algumas boas intérpretes inglesas não ficam conhecidas. Algumas são mais antigas, como Betty LaVette, Cleo Laine, Lita Roza ou Mabel Mercer (esta, quase americana), ou, nem tanto, como Norma Winstone, Jenny Evans, Claire Martin, Liane Carrol, Gil Manly, Barb Jungr ou a novata Zara McFarlane. Das citadas, quantas você conhece? Se não passa de dois, normal. Cantoras inglesas, fora as de música mais pop, como Adele, Amy Winehouse não são as mais “faladas”, o que não quer dizer que sejam piores que as americanas.

Num longínquo ano de 1995, Gil Manly lançou Detour Ahead. Problemas sérios de saúde a afastaram da cena musical. Converteu-se ao budismo: mais uma razão. Quando saiu With a Song in My Heart, a maioria da crítica, simplesmente, ignorou ou nem sabia do disco de 1995, dizendo que era seu álbum de estréia. Das poucas referências existentes, uma delas vale bem e pode ser boa razão de conhecê-la: Mark Murphy acha-a o máximo.

É um álbum recheado de standards, como o de muitos de cantores e cantoras. É um bom modo fácil de vender discos. Existe uma clientela fixa para esse tipo de produto. Por menos novidades que possam trazer, tem apelo, apelo de que sou vítima contumaz. Estou sempre em busca de interpretações diferentes das mesmas músicas. De quando em quando, encontro. Em With a Song in My Heart, tenho algumas dúvidas se encontrei, apesar de sua boa qualidade e sua voz admirável.

Ao ouvir The Lies of Handsome Men acho que encontrei. É um álbum no formato voz e piano. São tantos discos bons assim! O melhor, quem sabe, são os que Tony Bennett gravou com Bill Evans. Este de Manly, é acompanhada por Simon Wallace. A exceção é a participação do veterano (e um pouco decadente) Buddy Greco, em duo em Second Time Around.

Ouvir vozes a capella ou acompanhada de apenas um instrumento é uma forma de se aferir a qualidade de um intérprete. E Gill passa muito bem pelo teste. Algumas canções são standards bem conhecidos, como How Insensitive (Insensatez), Stolen Moments, The Windmill of Your Mind ou Charade, e outros menos, como Peel Me a Grape, de Dave Frishberg, mais conhecida na interpretação de Diana Krall. O que me “ganhou”, no entanto, é sua versão de Mad World, de Roland Orzabal, um dos Tears for Fears. Sempre gostei dessa música, e do Tears for Fears (perdão se você discorda).

Ouça a original nas vozes de Roland Orzabal e Curt Smith.




Ouça a de Gill.




Ouça sua bela interpretação de Charade.

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