terça-feira, 8 de outubro de 2013

Betty Blake e outros desaparecimentos

A “francesa” Jacqueline Myrna
Em um programa da década de 1970 chamado Praça da Alegria, uma francesinha – na verdade, romena de nascimento –, loura belíssima, carinha de santa, que despertava os instintos masculinos mais recônditos, protagonizava uma frequentadora da praça que sempre encontrava homens muito solícitos e educados sempre a dar-lhe atenção, até demais. Seu bordão – era um programa humorístico: “Brasileiro é tão bonzinho!”, com os erres puxados. Ficou famoso também como proferia o nome de uma cidade do interior do estado de São Paulo: “Arraquarra”.

Jacqueline Myrna – seria um nome apenas artístico ou verdadeiro? – ficou famosa pelos cinco minutos semanais do programa comandado por Manoel de Nóbrega. Como se vivia em um tempo de pin-ups e sob a égide da explosiva sexualidade da francesa Brigitte Bardot a alimentar fantasias sexuais, Jacqueline não deixaria de despertar o interesse (artístico?) de Walter Hugo Khouri, que a convidou para participar de um filme por ele dirigido. Provavelmente, enquanto viveu, nenhuma atriz de boa fachada escapou das atenções do diretor.

Se as sendas para o estrelato estavam abertas para Myrna, inexplicavelmente, desapareceu. Andaram dizendo que casara com um rico fazendeiro de “Arraquarra”. Algumas fontes dão que casou e voltou para a Europa, certamente, não para a Romênia do stalinista Ceausescu. É provável que tenha se cansado das falações e fofocas maldosas que tipos como ela eram obrigadas a ouvir. Antes dos tempos das periguetes e das pegadoras, bastava ser bonita e conhecida, que as chamavam de prostituta para baixo. Um caso mais recente de “desparecimento” é o da atriz Ana Paula Arósio, que resolveu largar tudo, sem explicações. Mudou para a região rural de Santa Rita do Passa Quatro (SP). Cada um tem o direito de decidir sobre sua vida.

O “desaparecimento” de Jacqueline Myrna teve repercussão limitada, bem menos do que de J.D. Salinger (sobre ele, leia um pouco mais em http://bit.ly/1c1dIul).

Capa do álbum de Betty Blake
Acaba de ser lançado mais uma biografia sobre o escritor, de David Shields e Shane Salerno (Salinger, Simon & Schuster, 2013; 720 págs.). Num tempo em que era preciso mais do que aparecer em revistas e tabloides para tornar-se celebridade, Salinger ficou famoso por O Apanhador no Campo de Centeio. Num belo dia, resolveu dar uma de Greta Garbo. “Sumiu”. Não foi parar em Irajá. Foi para um lugar chamado Cornish, New Hampshire. O peculiar em seu “desaparecimento” foi o de que se “escondeu” no meio de pessoas. Não deixou-se mais ser fotografado e não publicou mais nada. Sua carreira literária ficou resumida em O Apanhador, Nove Histórias, Franny e Zooey e Carpinteiros, e Levantem Bem Alto a Cumeeira / Seymour – Uma Introdução. Andava sem ser molestado em Cornish. Gostava de ir à igreja e lá almoçar por 12 dólares.

Betty Blake possuía dotes suficientes para ficar famosa como cantora. Começou a carreira cantando em big bands, como a maioria, na época. Em 1961, gravou Betty Blake Sings in a Tender Mood pelo pequeno, mas prestigiado selo Bethlehem. O disco recebeu boas críticas e tinha a participação de grandes músicos como Zoot Sims, Teddy Charles, Kenny Burrell e Mal Waldron. Depois disso, sumiu. Dando-se uma busca pelo nome, surgem dezenas de homônimos e poucos tópicos se referem à cantora. Nas parcas referências encontradas, sabe-se que morreu de câncer em 2001, com 63 anos. Inexplicável.

Ouça Lilac Wine.


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E, também, Trouble Is a Man. A mulher era boa!

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