quinta-feira, 11 de julho de 2013

Rosa Passos canta Djavan

Rosa Passos homenageia Djavan
Qualquer novo lançamento de Rosa Passos merece primeira página nos cadernos de variedades de grandes jornais como O Globo, Estadão e Folha. Afinal, se não é a melhor cantora da atualidade, está entre as três. Como opiniões são sempre pessoais e discutíveis, prefiro não dizer que é a melhor.

Depois de homenagear Elizeth Cardoso em É Luxo Só (Biscoito Fino, 2011), agora é a vez de Djavan. Em Samba Dobrado (Universal, 2013), das treze músicas, apenas a última não é dele: Doce Menestrel. O “menestrel”, ou melhor, o homenageado é ele mesmo em canção composta por Rosa e o parceiro de costume Fernando de Oliveira.

Pelo retrospecto, é um de seus compositores preferidos. Em Azul (Velas, 2002), das 13 músicas, cinco são dele: Samurai, Aliás, Azul, Açaí e A Ilha. Além dessas, em outros álbuns, gravou Beiral, De Flor em Flor e Álibi. Conheço pouco a obra de Djavan, mas as citadas devem estar entre as suas melhores.

As de Samba Dobrado vão de Fato Consumado (1975) a Linha do Equador (1992), parceria com Caetano Veloso, o que leva a crer que Djavan não fez mais nada de bom de lá para cá. Como, repito, não conheço bem sua obra, é a minha impressão.

O primeiro disco de Rosa é Recriação, de 1979. Acho que nem existe em CD. Lançado pela antiga Chantecler, o plantel de músicos é de primeira como Wilson das Neves, Luizão Maia, Gilson Peranzetta, com arranjos do violonista Geraldo Vespar. A música mais conhecida é Formicida, Corda e Flor, mais tarde gravada por Nana Caymmi.

Curare, o segundo álbum, ao contrário do primeiro, que tinha só composições de Rosa e Fernando Oliveira, é composto apenas de composições alheias. Muitas delas, como Ilusão à Tôa, Aquarela do Brasil, Folha Morta e A Felicidade são especiais na voz da baiana.

Junto com Curare, os seguintes Festa e Pano pra Manga estão entre os melhores de sua carreira. Rosa se consagrou com esses discos que firmam parceria que perdura até hoje com o violonista Lula Galvão. Apresentaram a Rosa que foi e é comparada a João Gilberto pelo seu fraseado único e também por canções próprias muito boas como Verão, DunasJuras, Outono e Chuva de Verão.

Uma intérprete genial como Rosa não poderia deixar de chamar atenção do mercado americano. Vários discos posteriores foram lançados pelas gravadoras Chesky, Telarc e Sony. O primeiro gravado foi Entre Amigos, com o baixista Ron Carter (Chesky, 2003). No Brasil, além da Velas, gravadora de Ivan Lins e Vitor Martins, lançou vários álbuns pela Lumiar Discos. Estes, com exceção de Morada do Samba (1999), são baseados em autores específicos como Tom Jobim, Dorival Caymmi e Ary Barroso. Parece que Rosa optou por gravar discos por essa fórmula. Pelo menos é o que se pode concluir pelo álbum homenageando Elizeth Cardoso – o penúltimo – e por esse mais recente, em que Djavan é o compositor escolhido. A onda dos chamados songbooks é boa por um lado e por outra é uma fórmula cômoda e de boa recepção do público comprador de discos. É o que acontece com o último álbum: quem não é muito fã de Djavan, que é o meu caso, por razões externas ao seu talento (não é possível que certas músicas marquem negativamente uma pessoa por algum evento traumático ou desagradável?), o único motivo para essa aquisição é ser fã de carteirinha de Passos.

As músicas de Samba Dobrado: Pedro Brasil, Linha do Equador, Maçã do Rosto, Faltando Um Pedaço, Capim, Pétala, Lei, Para-Raio, Cigano, Samba Dobrado, Fato Consumado e Serrado.

Veja Rosa Passos em Metrópole (TV Cultura) promovendo o lançamento de Samba Dobrado.




Veja o teaser do CD Samba Dobrado.

2 comentários:

  1. Muito legal!!!!
    Djavan é realmente ótimo, serviu como grande referência para compor e produzir as minhas músicas.
    Abraço!
    Mauricio.
    bitly.com/grupopuroacaso

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