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| Cristina Branco (esq.) e Ana Moura |
Inicialmente, Joni teve seu nome ligado ao folk americano. Não apenas pelas composições, mas pelas companhias profissionais e pessoais, encaixava-se perfeitamente no rótulo. Em Blue, os músicos que dele participam podem assim ser considerados, caso de Stephen Stills, Russ Kunkel, Sneeky Pete e James Taylor. A base do folk era o violão acústico. Joni era aquela cantora que chegava com o violão debaixo do braço. Era suficiente. Se tivesse um pianinho, ótimo: sentava-se e batucava algumas notas e acordes. Simplicidade enganosa: suas composições eram sofisticadas.
Três composições de Blue se tornaram standards: a música título, River e A Case of You. O folk era uma classificação muito pequena para a vastidão criativa de Joni. No decorrer do tempo foi se associando musicalmente e, de vez em quando, emocionalmente, com Wayne Shorter, Pat Metheny, Jaco Pastorius e Larry Klein. A essência continuou a mesma e o que mudou foi por um apuro instrumental cada vez maior. Em Hejira, um de seus melhores discos, ouvimos as primeiras contribuições do baixista Jaco Pastorius. No próximo álbum, um dos mais experimentais, a ele se somaram as contribuições de Wayne Shorter, Don Alias, Manolo Badrena, Alejandro Acuña e belíssimos arranjos orquestrais de Michael Gibbs.
Encontrou-se com Charles Mingus e gravou o antológico Mingus, com anuência e participação mais que especial em conversas gravadas que ficaram parte do disco. Pouco tempo depois o baixista, que já estava bem adoentado e preso a uma cadeira de rodas, veio a falecer.
Em 2007, Herbie Hancock lançou River: The Joni Letters (leia em http://bit.ly/10PtiCV), tendo convidados como Leonard Cohen, Luciana Souza, Corinne Bailey Rae (seu River é belíssimo: veja abaixo), Norah Jones e Tina Turner.
Joni Mitchell em releituras portuguesas
Por acaso calhou-me de ouvir cantoras portuguesas nos últimos dias. Se se fala de música da terrinha, é o fado o gênero que primeiro assoma em nossas memórias. Da primeira-dama Amália Rodrigues, passa-se por cantoras que seguem a tradição. Interessante que mesmo gerações mais recentes continuem a abraçar o gênero. Deve ser uma obsessão sebastianista. O fado não é o tipo de música para todos os gostos, assim como o bolero ou o tango, tidos como “coisas de velhos”, mas baixando-se a guarda dos preconceitos e dos conceitos pré-estabelecidos, encontra-se beleza onde menos se espera. O que intérpretes atuais como António Zambujo, Carminho, Cristina Branco e Ana Moura fazem não é simplesmente uma repetição ou diluição. São parte de uma gente que olha para a frente sem deixar de olhar para trás. Não estou citando Teresa Salgueiro, ex-membro de Madredeus, pois ela tem um percurso diferente.
A tradição conta bastante, mas esses cantores são cosmopolitas e não existe nenhum ranço nacionalista, Cantam na língua pátria e cantam em inglês ou francês e até português brasileiro. No álbum mais recente de Ana Moura, que deve ser a mais nova dos citados, três das faixas de Desfado, seu álbum mais recente, são cantadas em nglês. Na última excursão dos Rolling Stones, quando passaram em Portugal, Mick Jagger ouviu Ana em uma casa de fado. Gostou e convidou-a a participar de um dos shows. Cantou No Expectations.
Veja Ana Moura com os Rolling Stones.
Cristina Branco faz uma música com influências bem claras de outros gêneros latinos. Interpreta músicas francesas, argentinas, como Alfonsina y el mar, e brasileiras, como Soneto de Separação e O Meu Amor, de Chico Buarque..
Ouça Cristina Branco cantando a belíssima Alfonsina y el mar.
Pois então, estava esses dias a ouvir cantoras portuguesas e descobri que as duas cantam A Case of You, de Joni Mitchell.
Ouça A Case of You, com Cristina Branco, do CD Ulisses (2005).
Ouça A Case of You, com Ana Moura. A versão em estúdio está em Desfado (2013).

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