quinta-feira, 20 de junho de 2013

Beverly Kenney. Ou, quando se morre de amor


O pouco que se fala ou se ouve de Beverly Kenney se dá em razão de ter morrido com 28 anos. Corre que se matou por conta de desilusão amorosa. Mais recentemente, um jornalista e fã de Kenney refutou essa versão. Fato é que, antes de tomar uma mistura letal de álcool e Seconal, escreveu várias cartas aos pais em seu apartamento no Greenwich Village, bairro boêmio e lugar preferido dos artistas e pretendentes a, em Nova York. Dependendo do ponto de vista, morrer de amor parece bonito, mas a realidade da morte não é assim considerada costumeiramente. Amigos disseram que andava melancólica e um tanto distante perto do dia 13 de abril de 1960, quando pôs fim a vida.

Uma quase coincidência, até quanto a proximidade de datas, foi a morte de Dolores Duran. Tinha 29 anos. Pelo que parece, em razão de consumo de álcool, barbitúricos ao mesmo tempo, fora que era uma chaminé, sócia da Souza Cruz. Morreu de um infarto. Oficialmente, não é sucídio. Pelo jeito, a mistura de amores, álcool e barbitúricos não dá em coisa boa. De Dolores, de quem sabemos melhor por ser brasileira, parece que era um típico exemplo de “mulher intensa”. De Beverly, não sei. Sei é que seu disco lançado em 1958, em que aparece na capa deitada em um divã azul em um aposento da mesma cor, chama-se Born to Be Blue. Sugestivo.

Ouça Born to Be Blue.




Na breve carreira, gravou, praticamente um disco por ano. Consistem, em sua maioria, de gravações com poucos instrumentistas, às vezes só com o piano. A exceção é Born to Be Blue, com arranjos de Charlie Albertine e Hal Mooney. Esses registros econômicos apenas valorizam a voz de Beverly.

Ouça There Will Be Another You, presente no álbum Beverly Kenney Sings for Jimmy Smith (1955). Jimmy é o guitarrista que a acompanha.




Hugh Hefner, com mil dólares emprestados, criou uma das marcas mais fortes do século XX. Em 1953 lançou o primeiro número da Playboy, com a atriz iniciante Marilyn Monroe ocupando a página central. Como a sua inspiradora, a Esquire, bem mais antiga, seus editores não se resumiram à fácil fórmula de recheá-la com belas mulheres. Seus editores escolheram a dedo as colaborações. No seu início, publicou em capítulos Farenheit 451 do escritor de ficção científica Ray Bradbury. A revista desnudava as mais belas mulheres que habitavam as fantasias masculinas e publicava gente do quilate de John Cheever, Saul Bellow, Doris Lessing, Nadine Gordimer, Isaac Bashevis Singer e Kurt Vonnegut. Despertava os instintos mais básicos do macho e os “elevava” com alta cultura.

Em 1957, criaram o Playboy Music Polls, orientado para o jazz, gênero preferido de Hefner. Na esteira, lançaram o Playboy Jazz All-Stars e, mais tarde, surgiu o Playboy Jazz Festival. Dentre os “all-stars” estavam Frank Sinatra, Louis Armstrong, Gerry Mulligan e Dave Brubeck. Foram lançados também vários álbuns sob a insígnia Playboy. Um deles foi Beverly Kenney Sings for Playboys (1958).

Veja Hugh Hefner entrevistando Kenney. Canta Everything Happens to Me, Mountain Greenery, Makin’ Whoopee e In the Wee Small Hours of the Morning.




Ouça Guess I’ll Hang My Tears Out to Dry.


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